Que é diferente dos outros

Tenho um problema com o desaparecido blogue Barnabé que é idêntico aquele que tive com os extintos sabonetes Nordika. Quando descobri o seu suave cheiro a pinho, a forma como me levantavam a moral sob o duche da manhã, já estes haviam deixado de ser comercializados. Percorri então, um tanto desesperado, pequenas mercearias de bairro, [...]

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A poesia também pode ser terrível*

La technique dans la période de reconstruction décide de tout * De Magnitogorsk: Louis Aragon, 1932

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Entretanto em Minsk

O Avante! considerou ser muito relevante «o facto da Bielorússia manter um sistema de auscultação popular alargado» e de no início do mês se terem «reunido pela terceira vez, milhares de delegados na Assembleia Popular de Toda a Bielorússia, na qual foram aprovadas as linhas de orientação socio-económica até ao ano de 2010». Mais adverte [...]

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Da servidão

Começa assim O Homem Revoltado: «Há crimes de paixão e crimes de lógica. Com uma certa dose de comodidade, distingue-os o Código Penal pela premeditação. Vivemos no tempo da premeditação e do crime perfeito. Os nossos criminosos já não são aquelas crianças desarmadas que invocam o amor como desculpa. Hoje, pelo contrário, são adultos, e [...]

Sem futuro

Cittabella é, no livro de Lia Wainstein (Viaggio in Drimonia, editado em 1965 pela Feltrinelli), a «cidade dos buracos». Nela, todos os habitantes deambulam dando a sensação, a quem os possa observar a partir do exterior, de procurarem alguma coisa – um parente ou um amigo, um embrulho, uma carruagem, um animal de estimação – [...]

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Medidor de paisagens

Somos protagonistas da paisagem, que é sempre uma representação única para cada um de nós. Por isso ela pode ser tão sublime quanto terrível, tão desolada quanto tranquila, impressionante ou monótona. Desaparecidos de vez os territórios selvagens e inexplorados do passado, sucedem-se agora as áreas desflorestadas, preenchidas com culturas intensivas, as manchas irregulares da urbanização, [...]

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A Monte

De repente, seis anos depois, o regresso feliz de Marisa Monte. E logo com dois cêdês, simultâneos e híbridos. Um, Infinito Particular, em fala pop que não é bem pop. Outro, Universo Ao Meu Redor, anunciado como disco «de samba» sem o ser propriamente. Em ambos, a música brasileira fora dos clichés habituais que nos [...]

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Fantasia de 3a. feira

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Estado da arte

Do Mausoléu de V.M. Molotov (1890-1986), erguido em 1975, ainda em vida do falecido, por Hans Magnus Enzensberger*: O seu traseiro de ferro também já não é o que era. Só o apara-lápis pendurado da corrente do relógio relembra ainda os anos dourados no politburo. Medita, dá estalos com os dedos. * Trad. de João [...]

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Sinofilia

No princípio da década de 1970, entre Lisboa e Viena, uma horda de jovens sedentos de justiça deixava-se seduzir pelas imagens edénicas de um mundo que presumia igualitário. A revista Nouvelle Chine – a edição em francês era aquela que chegava a boa parte de uma Europa maioritariamente francófona – mostrava cenários coloridos que pareciam [...]

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Voz do povo

Numa nota de imprensa escrita em 1947 pelo SNI de António Ferro, proclamava-se ser pelo folclore «que um povo reencontra o potencial poético característico da sua raça na sua forma mais cristalina e pura». O regresso em força, aos ecrãs televisivos, aos palcos das praças, aos desfiles alegóricos, às políticas culturais de alguns municípios, do [...]

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Sabedoria em Aphania

Em Petsetilla’s Posy, obra semi-obscura publicada em Londres no ano de 1870, Tom Hood descreveu Aphania, um reino imaginário da Europa central no qual existia um código penal para as ausências de estilo e onde o plágio era punido com três anos de exílio. Determinadas violações da sintaxe eram mesmo castigadas com a pena capital, [...]

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Lawrence já não mora aqui

O abuso do conceito de aventura afirma-se sobre os escombros de vidas passadas, de episódios contados em crónicas antigas, de cadernos de viagem com nódoas e páginas amachucadas, de romances feitos de movimento e distância. Perde a sua dimensão como acto ilícito, subversor do corrente, construído como viático de liberdade e risco, procura de um [...]

Inútil paisagem

Pronunciando o indizível: é insonhável aquilo que nem mesmo em sonhos conseguimos ver.

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A glória do fumo

Na década de 1950, recorda um apontamento do suplemento 6ª (do DN), a pose das figuras da televisão (e do cinema, acrescento) incorporava o cigarro «como sinal de requinte e sintoma de segurança». Talvez fosse interessante olhar um pouco – neste tempo de antitabagismo irracional (inexistente no mundo islâmico, tal como na maior parte da [...]

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Solidarinosc

«Nós somos impenetráveis», escreveu Unamuno. «Os espíritos, como os corpos sólidos, não podem comunicar-se a não ser pelo toque na sua superfície, não penetrando uns nos outros, e muito menos fundido-se.» Sem esta consciência, erram, de desconsolo em desconsolo, até ao abandono. Com ela, podem tornar-se solidários sem se sentirem hipócritas.

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