Pobrezinhos mas invejados

Um estudo sobre a identidade nacional, desenvolvido no âmbito da actividade do Instituto de Ciências Sociais, revela que a História e o futebol constituem os dois maiores motivos de orgulho dos portugueses. Sobre o futebol pouco me espanto e nada me admiro, dada a carência de experiências contemporâneas de relevância no confronto público com outros [...]

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Órfãos do Che

Não adianta olhar para o lado e passar à frente. O Che vive e, por mais morto que esteja, insiste em confrontar-nos. Não a sua alma errante, obviamente, mas a sua imagem lembrada, evocada, manuseada, maquilhada. A suprema cosmética conseguiu-a em 1997 Fidel Castro, ao decidir – como acaba de provar a reportagem «Operación Che. [...]

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A preto e branco e às cores

Podemos detectar, do imediato pós-Abril à actualidade, uma certa tendência para desenhar o Estado Novo a preto e branco. Os principais e quase sempre involuntários responsáveis por este estado de coisas são muitos dos que lhe sobreviveram e que dele nos vão legando uma memória selectiva. Fixam-se principalmente na evocação dos momentos mais sonoros, ou [...]

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Foot-ball

«Para poder jogá-lo, é necessário ser são de coração e pulmões, ter pernas rijas, pé leve, resistência para uma a duas horas de campo, visão rápida e presença de espírito. Além de promover o desenvolvimento harmónico do corpo, é o foot-ball uma escola de coragem, de decisão, de consciência da própria responsabilidade, de disciplina, de [...]

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Almanaque

De fio a pavio. A expressão caiu em desuso, mas foi assim – no todo e a fundo, com muita surpresa e algum entusiasmo – que, durante duas semanas de um Agosto do princípio deste século, li de enfiada os dezoito números (e um suplemento) da revista Almanaque que saíram entre Outubro de 59 e [...]

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Ainda o Público light

Não me apetecia voltar à vaca-fria do Público remodelado. Não me apetecia falar ainda da Pública de domingo, que parece assumir em parte a futilidade do inenarrável e saudavelmente extinto suplemento Xis. Não me apetecia referir também a forma com o Local, tão útil para tantas pessoas – para os leitores de Coimbra e de [...]

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Da decadência do Entrudo

«O Entrudo está perdido. Eu lembro-me que, sendo rapaz, houve tal Entrudo na minha rua, que por conta das peças que ali se fizeram, houveram vinte brigas e quatro mortes. Haviam então homens de bigodes; porém, hoje, estes Peraltas, ainda que lhes botem três arráteis de polvilho no topete, fazem uma cortesia, e vão andando [...]

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À mercê do medo

Desprovidos de panoramas do futuro, mas intimados a cada dia a definir mais e mais objectivos, sobrevivemos à mercê do medo. «O progresso, que foi outrora a mais extrema expressão de um optimismo radical, promessa de felicidade universal e eterna, cedeu o seu lugar ao pólo oposto, anti-utópico e fatalista, das previsões: hoje em dia, [...]

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Regresso

Quatro anos decisivos em antologia, numa edição em fac-simile do Centro Nacional de Cultura. 1076 páginas a um preço camarada. Imperdível. Imperdíveis.

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Palmatoadas

Todos ouvimos, diariamente, palavras e expressões que surgem datadas, remetendo para tempos que se vão esfumando. Há dias, quase me ia zangando com um amigo que discordava de um exemplo, adiantado de forma peremptória, que me parece ilustrativo de situações deste tipo. Dizia-lhe eu que, tal como «larápio», também a palavra «gatuno» praticamente caiu em [...]

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Ainda me torno iberista…

Agora que passaram seis dias sobre a renovação do Público – e mesmo sem tomar ainda em consideração a edição de domingo – creio que já posso emitir uma opinião menos superficial sobre o assunto. Reafirmo a minha primeira impressão, que não foi de simpatia. Junto, àquilo que escrevi no dia 12, um aspecto que [...]

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Perplexidade

Num inquérito alargado e plural que envolveu uma amostra de 2851 (perto de 15%) dos alunos da Universidade de Coimbra (*), cerca de 18,3% dos inquiridos revelou jamais ler livros. Destes, 7,3% pertencem às Artes e Letras, 10,9% ao Direito e 13% às Ciências Sociais, áreas que estão num dos extremos da escala. No outro, [...]

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Colunex

Não poderia estar mais de acordo com aquilo que Eduardo Pitta escreveu a propósito das pobres credenciais de muitos dos nossos colunistas «de referência». Também me tenho questionado sobre as razões do destaque atribuído, em respeitados jornais da nação, a pessoas que se limitam a alinhar «de carreirinha» os lugares-comuns dos directórios partidários. Pois se [...]

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Brevíssimas notas pós-11 de Fevereiro

# Uma vaga de civismo e de razoável tolerância dominou a campanha, se a compararmos com as batalhas apocalípticas travadas em 1998 entre cruzados e sarracenos. Não se verificaram grandes cenas de peixeirada (bom, a D. Laurinda Alves não conta, pois é uma senhora). # Existem importantes correntes de opinião e de militância cívica que [...]

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A nova cara do Público

A primeira impressão é-me pouco simpática. Não pela inovação em si. Acontece apenas que existe espaço livre a mais (para o meu gosto, claro), fotografias demasiado grandes (para isso existem as revistas), um lettering que se me revela de difícil apreensão (poderá também ser este um sinal subliminar da minha oftalmologista), um logotipo que me [...]

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«Ce n’est q’un debut!»

20H01: sim, ganhou bem o Sim. É pouco, eu sei, mas nada ficará exactamente como dantes. Por agora, apenas a certeza de um pouco mais (como dizer?) de civilização. De humanidade também. E de que no país, neste país, alguma coisa mudou nestes últimos tempos.

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Da «superioridade moral» do Sim

Sempre evitei aceitar que alguém, uma ideia, uma determinada atitude, a partilha de um conjunto de princípios ou de convicções, possam determinar uma qualquer forma de «superioridade moral». A percepção da fragilidade e da imaterialidade da condição humana, associada a uma visão optimista e céptica do mundo, têm-me ajudado a fugir a essa tentação de [...]

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A barba de Harry Potter

Os deuses vivem uma vida muito deles, com a qual nós, comuns mortais, nada temos a ver. Importam-nos sempre as suas intervenções pontuais, coléricas ou benfazejas. Fora desses momentos, porém, nada queremos saber sobre a forma como trabalham, comem e ocupam os tempos livres. Aliás, estão tão distantes que seja o que for que possam [...]

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Burberry fields

Não entendo o motivo pelo qual a óbvia intervenção militante da Opus Dei na actual campanha para o referendo sobre a despenalização da IVG tem sido omitida pela generalidade dos comentadores. Não existem provas evidentes? Bem sei que não servem de prova de tal ligação os rostos sinistros e o aspecto geral triste, conservador e [...]

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