Caramel, bonbon et chocolat

O Eduardo Pitta desafiou-me para esta espécie de corrente em formato de book crossing. Cinco livros recomendáveis para ler agora, o mais tardar para a semana.
1. Um pequeno ensaio de George Steiner, O Silêncio dos Livros, publicado originalmente na Esprit, que a Gradiva acaba de editar acompanhado do comentário Esse Vício Ainda Impune (a [...]

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A praga

A praga das televendas e afins acaba de ultrapassar a última barreira do inacreditável. Recebi há minutos, em casa, provinda de um número telefónico não identificado, uma insistente proposta – «mas se o senhor não pode agora, qual a melhor hora para podermos conversar?» – para me tornar sócio… da DECO!!! Sim, estou a falar [...]

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Certa gente não entende

Este post insiste num tema aqui recorrentemente abordado. Trata-se apenas de (mais) um acto de legítima defesa.
Faço parte de uma minoria. Aquela que hoje é composta, pelo menos na metade ocidental do hemisfério de cima, pelas pessoas que têm o hábito de fumar. Mas dentro dessa minoria, pertenço ainda a uma outra. Uma subminoria, chamemos-lhe [...]

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Socialismo pelo esgoto abaixo

Há alguns meses atrás, da actividade de uma outra (ou seria a mesma?) comissão patrocinada pelo governo e financiada com dinheiros públicos, tinha transpirado a recomendação peregrina de fazer aumentar em flecha os descontos dos trabalhadores para a segurança social, diminuindo imenso os salários reais. Agora, a Comissão para o Livro Branco das Relações Laborais, [...]

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Oskar

Werner em 1966 com Julie Christie, «a mulher que tinha uma sósia em Lisboa»
Revi ontem Oskar Werner na RTP2. Como Fiedler, o judeu agente da STASI, ao mesmo tempo repugnante e idealista, que em O Espião Que Veio do Frio, o filme de Martin Ritt baseado no primeiro romance mundialmente conhecido de John Le Carré, [...]

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Summer is Almost Here

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Hiper-realismo gatofedorentista

Os quatro cidadãos acusados de ter agredido Francisco Assis, o ex-presidente da distrital do Porto do PS, em Maio de 2003, declararam hoje no Tribunal de Felgueiras a sua inocência. De acordo com a Lusa, os arguidos Casimiro Sousa, alfaiate, Joaquim José Rodrigues, sapateiro, Agostinho Gonçalves Sousa, empregado de balcão, e Manuel Pereira de Sousa, [...]

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O S. João e a broa de Avintes

Lamento Tiago (Barbosa Ribeiro), mas nunca percebi, e continuo sem perceber, o que de especial, ou de particularmente democrático, tem a «folia» sanjoanina do Porto. Apesar de já a ter experimentado algumas vezes, chegando a madrugar sujo, suado e namorado em Matosinhos. Sempre a achei uma festa desenxabida e popularucha, com toda a gente a [...]

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Livro de memórias pouco comum

Enquanto lia as 598 páginas e as 2.296 notas em letra pequeníssima de Pessoa Comum no seu Tempo, o livro de memórias de João Freire que a Afrontamento acaba de editar, percebi que partilhava com ele, sendo dez anos mais novo, muitas das referências da infância e da pré-adolescência. O conhecimento directo ou indirecto de [...]

Jornalismo (este e o outro)

A entrevista feita por Alexandra Lucas Coelho que saiu no último Ípsilon a propósito de mais um romance de Baptista-Bastos, retoma algumas questões recorrentes sempre que se fala deste (ou com este) jornalista e escritor. Começo por dizer que não sou um seu grande admirador: não aprecio particularmente o estilo da escrita (convém dizer que [...]

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Perigo polaco

Os mesmo responsáveis polacos que querem fazer com que os outros países europeus paguem pelo facto da Segunda Grande Guerra os ter impedido de terem hoje o dobro da população e de serem uma potência de primeira grandeza na União Europeia (mais habitantes igual a maior força negocial), querem agora colocar 20.000 prisioneiros a trabalharem [...]

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Sansão pode dormir descansado

Não tenho na certeza de ser dos carecas «que elas gostam mais», como afirmava uma popular marchinha do Carnaval carioca. Ou, pelo contrário, de acordo com o velho anúncio de um restaurador capilar, se afinal já não é deles «que elas gostam mais». Ou mesmo se «elas» serão «eles», ou se «eles» serão «elas». Sabe-se [...]

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A Leitura e o Leitor (8)

A espera.

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Sobre os monumentos (6)

Cartaz estónio pré-1953
Svetlana Boym tem estudado a dimensão energética da nostalgia, ajudando-nos a entender melhor os processos de manipulação política da arte monumental. Em The Future of Nostalgia, distingue claramente a forma como o senso-comum encara aquela que chama de «nostalgia passiva» – marcada pela melancolia, observando o presente pela negativa e o passado como [...]

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Wikipédia – modo de usar

O suplemento Digital do Público divulgou um conjunto de artigos sobre o processo de construção e a forma de funcionamento da Wikipédia. Assim mesmo, com acento agudo, pois foi principalmente a versão em português da enciclopédia online que foi referida. Aspectos como a credibilidade, a originalidade ou a relevância dos contributos foram ali abordados e [...]

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Irrelevância em Gaza

Para quem – sempre mais ou menos os mesmos – se aplica tanto em mostrar-se imparcial perante a «luta de facções» que avassala o território da Palestina, parece ser irrelevante o facto de o Hamas, após ter tomado posse da faixa de Gaza, ali ter imediatamente instalado a sharia e começado a executar pessoas. [...]

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O Diário de Maria Bashkirtseva

Maria Konstantinovna Bashkirtseva (1858-84), filha de uma família da nobreza russa, nasceu na Ucrânia mas passou grande parte da sua breve vida a viajar pela Europa. Estudou pintura em Paris, onde produziu uma obra notável, quase inteiramente destruída pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Sob o pseudónimo Pauline Orrel, também escreveu para o jornal [...]

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Al Berto e a outra Coimbra

«Vocês são mesmo ordinários, foda-se!». Foram as palavras de um Al Berto em «fúria controlada», quando, em 1992, foi vaiado por um grupo de estudantes universitários, soi-disant irreverentes e mais ou menos etilizados, durante uma sessão de leitura de poesia que decorria em Coimbra. A mesma Coimbra onde o poeta, morto há dez anos, [...]

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O imenso adeus

De repente tornara-se invisível. Como acontecera com a sua própria sombra, também o olhar dos outros deixara de o perseguir. Podia agora sorrir, ou acenar, ou imitar o voar oblíquo dos pássaros, sem que lhe perguntassem porque o fazia.

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A Grande Traição

A pergunta parece gasta, mas não excedeu ainda o prazo de validade. Poderemos continuar a integrar, como instrumento do combate social e da representação contemporânea do mundo em mudança, o binómio esquerda-direita? A melhor forma de responder à questão talvez seja pensá-la colocando de lado os apriorismos que transformaram «esquerda» e «direita» em ídolos ou [...]

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Sobre os monumentos (5)

Nos países sob regimes democráticos, onde se verifica algum respeito pela diferença de opiniões e pela transitoriedade dos valores, o mobiliário monumental tem começado a atenuar a expressividade simbólica que sempre incorpora. Os edifícios construídos são mais funcionais e voltados para um diálogo com as populações envolventes, a agressividade figurativa das estátuas é reduzida, ocorre [...]

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75 anos connosco

Sem ela não seríamos bem aquilo que somos. Nem os nossos dentes brilhariam da mesma forma. A fórmula da Pasta Medicinal Couto foi elaborada pelo gerente da sociedade Flôres e Couto, sediada no Porto, com a ajuda de um dentista amigo, visando evitar «nomeadamente as infecções das gengivas», e foi registada em 13 de Junho [...]

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Bocejo em horário nobre

Um dos pequenos dramas domésticos mais comuns consiste em desejar ardentemente cortar o som da televisão, ou mudar o canal, e não se saber onde raio poisámos o telecomando. Foi o que me aconteceu ontem, obrigando-me a ouvir em alta gritaria, durante alguns minutos, Notas Soltas, a entrevista de Judite de Sousa a António Vitorino [...]

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A Leitura e o Leitor (7)

Antes que seja tarde.

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Os meus «Seis Dias»

Com catorze anos de idade eu não podia ter uma posição política que se esforçasse por parecer coerente. Talvez por isso, ou graças às «leituras para rapazes» que ocupavam a maior parte do meu tempo, em Junho de 1967 ainda sentia um grande entusiasmo pela guerra e pelos guerreiros que imaginava a povoá-la. Não aquela [...]

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Palavras cruzadas (ainda os blogues)

Aceito parcialmente a crítica de José Pacheco Pereira a certos malefícios do metabloguismo, particularmente aos vícios do «amiguismo». Não significa isto, porém, que seja contra a partilha de ideias e de cumplicidades entre escrevedores de blogues. Elas constroem solidariedades e ampliam a visibilidade daquilo que se publica, possibilitando uma interacção muitas vezes enriquecedora. Reconheço que [...]

Um livro contra a fé

Não é fácil defender a importância de uma obra como esta. Quando se multiplicam os livros, discursos, colóquios, debates e números de revistas que pretendem colocar em diálogo islamismo e cristianismo, ou que intentam provar «cientificamente» que se completam, e quando a defesa da laicidade parece confinar-se à teimosia de uns quantos excêntricos fora do [...]

Femme fatale

A femme fatale, avisam os livros, é atraente e sedutora. Um pouco intimidante também. Com um charme capaz de enredar amantes e vítimas, sem remissão possível, numa teia de situações comprometedoras e sempre razoavelmente perigosas. A deusa suméria Ishtar já revelava os atributos, marcando o nascimento histórico do mito masculino que envolve sentimentos misturados [...]

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O mascarado e o da triste figura

Tendo-lhe sido perguntado, em entrevista da revista Sábado, se se identificava com o Zorro ou com D. Quixote, José Sá Fernandes, o protagonista da «candidatura alface» do Bloco de Esquerda à Câmara de Lisboa, afirmou, como era de prever num candidato partidário a alguma coisa, «com o Zorro porque tinha os pés na terra». Sendo [...]

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Voz no deserto

Admito que a afirmação do ministro Mário Lino a propósito do «deserto» situado abaixo do habitat das senhoras tágides tenha sido, para além de politicamente controversa, uma valente gaffe. Mas já deu para entender que ML habita, ele próprio, um outro deserto: o dos «homens públicos» com sentido de humor e alguma propensão para a [...]

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Os dias da rádio

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Sobre os monumentos (4)

Salazar em Santa Comba nos idos de 70, decapitado e florido
Se a valorização positiva de determinados sinais é transitória, é-o também a sua negação. Muitas das vezes, a destruição dos velhos símbolos é posta em causa por sectores da sociedade a quem um determinado passado suscita um efeito de sedução. Pode então acontecer que determinados [...]

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Riso kafkiano

Conta John Banville, no seu livro sobre Praga, que quando Kafka começou a ler excertos de O Processo a um grupo de amigos, foi acometido de um tal ataque de riso, logo à primeira página, que acabou por desistir da leitura. Alguma coisa de essencial nos terá escapado na história trágica de Joseph K.

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Vidros partidos

Protestos como os de Rostock, contra a cimeira do G8 a decorrer na estância balnear de Heiligendamm, são sem dúvida perturbantes. Mas, de alguma forma, são também úteis e necessários. É difícil perceber o sentido que podem tomar, tal a heterogeneidade das correntes que se manifestam, das suas formas de organização, dos seus objectivos específicos, [...]

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A ucronia depois da utopia

Moscovo, 1990. Fotografia de David Hlynsky.

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Ver para respirar

Quando, em nome de uma «objectividade» asséptica ou de uma lógica de amanuense, a escrita jornalística foge a alta velocidade do compromisso e da emoção – esquecendo, ou ignorando, legados como os de Reed ou de Orwell – apetece-me recomendar, e sem reservas, a leitura de um livro de Ryszard Kapuscinski editado há cerca de [...]

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Cinema noir-engagé

Segundo o Correio da Manhã, João Botelho está a preparar, em conjunto com a jornalista Leonor Pinhão, um filme que será uma adaptação livre do best-seller Eu, Carolina. De acordo com o realizador, o título provisório é Corrupção, «uma homenagem a Fritz Lang, que dirigiu Big Heat», e pode definir-se desde já como «um filme [...]

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Música nocturna

Na década passada fiz muitas e longas viagens de condução nocturna tendo como banda sonora a música encantatória da Íntima Fracção e a voz poética, ocasional, do seu autor, Francisco Amaral. O programa, no ar desde 1984, andou pela Antena 1 e pela TSF, recebeu diversos prémios, perdeu o sinal nacional quando passou para [...]

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A sete chaves

O governo do Irão acaba de proibir os académicos do país, todos eles, de contactarem cidadãos estrangeiros. Os motivos invocados são explicados de um modo muito directo: «os nosso docentes estão expostos a ameaças de espionagem», diz uma fonte governamental, e além disso «qualquer cidadão estrangeiro que estabeleça contactos não é de confiança». A paranóia [...]

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A Leitura e o Leitor (6)

O comboio das 18H10.

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