Arquivo de Abril de 2010

Exageros

Fangio

Ainda mal que pergunte, mas por que razão apoiar Manuel Alegre para PR – até instruções em contrário da minha consciência, será isso que farei – requer transformar o mesmo em Vate da Pátria? Do ponto de vista literário, Alegre é um conservador e escreve, muito classicamente, sobretudo coisas «bonitas» (para determinados gostos, not mine) e «com mensagem» (algumas delas foram importantes para muitas pessoas, inclusive para mim). Ficará, sem dúvida, num parágrafo da História da Literatura Portuguesa. E terá sempre quem goste de o ler. Mas daí a ser cantado e decantado como um Juan Manuel Fangio da pena vão umas quantas voltas ao Circuito de Monza…

Com um sorriso nos lábios

Comrade Cola

Já perdi a conta ao número de vezes que apontei para crónicas de Antonio Muñoz Molina saídas no suplemento Babelia. Quando o faço é quase sempre para realçar evocações, vidas ou ideias das quais me sinta cúmplice. Mas desta vez será diferente: sirvo-me de um artigo do escritor andaluz para rejeitar a perspectiva que adoptou no artigo desta semana. Intitula-se «Un elogio de la socialdemocracia» e nele Molina esboça uma resenha histórica das conquistas proporcionadas pela experiência social-democrata – equiparada por grande parte da esquerda, desde a intervenção revisionista de Eduard Bernstein, a uma «sistematização da traição» – que funciona ao mesmo tempo como elogio e obituário.

Primeiramente Molina celebra as conquistas:

«Todos, sin excepción, en Europa y en Estados Unidos, somos beneficiarios en algún grado de la revolución socialdemócrata, que supo favorecer la igualdad y la justicia fortaleciendo y no sólo conservando las libertades individuales: cuando vamos al médico, cuando asistimos a la escuela o mandamos a nuestros hijos a la universidad, cuando tomamos el tren o el metro, incluso cuando conducimos nuestro coche privado por una autopista que no habría podido construirse sin enormes inversiones públicas.»

Mas logo de seguida começa a diagnosticar a visível decadência:

«Y sin embargo, desde los tiempos de Margaret Thatcher y Ronald Reagan, el descrédito de lo público se ha extendido como una gangrena, en la derecha y también en la izquierda, que cuando llega al poder muchas veces adopta un lenguaje entre tecnocrático y cínico. Lo público es ineficiente. Cualquier servicio lo puede prestar mucho mejor una empresa privada, que se rige por la racionalidad del beneficio y no por la rutina o la corrupción de la burocracia. Hay una manera de que las profecías se cumplan: a los servicios públicos se les quitan los medios y se descuida su gestión y así se demuestra que no funcionan y que necesitan ser privatizados»

O que me tocou negativamente neste artigo não foi o desembaraço da análise, que é patente e nada oferece de novo, mas a perspectiva da qual Molina parte. Propõe uma crítica da esquerda lançada a partir do seu interior, num sentido, aparentemente regenerador, que até pode parecer positivo. Mas a «esquerda» da qual fala, e a única que parece verdadeiramente preocupá-lo, é a do PSOE de Zapatero, ou aquela alardeada por partidos análogos. Esquece pois, ou parece esquecer, que os compromissos à esquerda têm necessariamente de passar por uma abertura que envolva correntes e sensibilidades muito diversas, com tradições também elas diferentes. Tanto quanto possível devidamente imunizadas contra o vírus anestesiante do realismo político e unidas por cinco grandes vocações. A primeira impõe que as conquistas proporcionadas pela social-democracia nos países do capitalismo avançado sejam património a desenvolver e não a rever; a segunda requer que à esquerda não exista «linha justa», e muito menos «científica», à qual as outras se devam submeter; a terceira faz com que seja preciso manter uma grande abertura crítica e uma grande capacidade para ultrapassar os dogmas do passado; a quarta determina que as liberdades públicas e os direitos humanos são, à escala planetária, factores essenciais de equilíbrio e felicidade; e a quinta exige que para construir uma sociedade melhor, mais justa e mais igualitária seja preciso muito mais do que uma gestão «civilizada» do capitalismo: é preciso manter no horizonte a necessidade da sua superação. E trabalhar para isso, é claro. Desconfio, porém, que jamais um vislumbre de tal caminho faça com que Zapatero ou Sócrates adormeçam com um sorriso nos lábios.

Publicado também no Vias de Facto

Iuri nas Cidades #3

Varsóvia

Varsóvia
Colaboração de Iuri Bradáček

♪ ilha do tesouro|25

«Even now, amidst this international shitstorm of laptop-meets-okay-musician circle jerks, [they] have maintained fairly unique personalities.»

Lali Puna

Lali Puna
That Day [Our Inventions]
PLAY

A máquina de contar o tempo

tempo

Num dos prefácios o autor faz notar que «a medição do tempo é apenas um aspecto de um assunto muito mais vasto: o significado do tempo e a variedade das formas como é percebido e usado». Por isso esta história dos relógios é bastante mais que um relato detalhado da invenção e do aperfeiçoamento desses aparelhos mecânicos de medir os dias: representa também um esforço de compreensão da forma como estes rapidamente alteraram a vida colectiva e o modo dos humanos decifrarem o mundo. David S. Landes procurou, no fundo, fazer com os relógios aquilo que outros fizeram com a imprensa, mostrando como o seu uso fez detonar um conjunto de processos que excederam em muito os contornos da revolução tecnológica.

Publicada originalmente em 1983, A Revolução no Tempo foi revista em 1998 na sua edição em inglês, e foi esta que a Gradiva agora traduziu. Preservaram-se as três partes constitutivas da primeira edição – a que aborda a razão pela qual a invenção e o aperfeiçoamento do mecanismo ocorreu lugar na Europa, a que relata o modo como o relógio foi aperfeiçoado para ser cada vez mais portátil, fiável e duradouro, e a que descreve as vidas, os trabalhos e as conquistas dos que os foram produzindo – mas deu-se agora ênfase suplementar às profundas alterações técnicas das últimas duas décadas do século passado, em particular aquelas que disseram respeito à «revolução do quartzo» e ao uso do telemóvel, do computador, da rádio e da televisão como marcadores do tempo de todos os dias. Talvez seja sob este aspecto, porém, que esta obra acusa algumas falhas, uma vez que não discute o modo como a introdução destes novos processos de medição começou a apagar essa divisão do quotidiano em parcelas, em tempos fixos, que a utilização dos relógios mecânicos ainda supunha, substituindo-as por um «antes» e um «depois» cujo referente pode ser agora a chamada telefónica, o indicativo musical ou o programa de televisão.

Para além de um volume enciclopédico de informação sobre a história e a tecnologia dos relógios, produzida a partir de Galileu e da sua descoberta do isocronismo das oscilações do pêndulo, que só por si justificaria o interesse deste livro, destaca-se ainda o papel atribuído pelo autor ao facto da revolução produzida implicar uma metamorfose ética imposta pela possibilidade de rentabilizar os dias – detecta-se aqui uma articulação visível entre a nova forma de medir o tempo e uma ética calvinista do trabalho que teria escapado à análise de Max Weber – que se traduziu, para os europeus que rapidamente a adoptaram, num catalisador do crescimento económico e da sua afirmação planetária. Esta mudança ofereceu também à própria percepção da história um «cenário cronológico» anteriormente desconhecido, com implicações nos domínios da filosofia, da teologia, da literatura e até da política.

Publicado na revista LER de Março

David S. Landes, A Revolução no Tempo. Os Relógios e o Nascimento do Mundo Moderno. Trad. de Edgar Rocha. Gradiva, 544 págs.

notas & recados

Correio

#2 – Muitas e boas expectativas para o recém-chegado Adeus Lenine. A proposta é sugestiva e a diversidade parece ser uma garantia de interesse. O lado esquerdo agradece (e como é bom ler uma esquerda sem cartilha!). Ah, e o título «roubado» a Herr Wolfgang Becker é excelente.

Bruxelas como jamais

La Monnaie
Devia ser o Théâtre Royal de La Monnaie

Todas as cidades vivem saturadas da sua própria imagem. Em especial as pequenas, pela razão evidente de possuírem menos ângulos a partir dos quais é possível obter perspectivas inéditas. Habito uma cidade dessas: se acreditarmos apenas no que proclamam as prédica oficiais ou lemos nos seus jornais, a imagem que a maioria dos seus habitantes tem do local onde mora é inflexível, ainda que desgastada. Nela a história serve habitualmente de argamassa. Um grafito numa parede – entretanto apagado por vândalos disfarçados de funcionários municipais – proclamava em tempos: ISTO JÁ NÃO É AQUILO QUE NUNCA FOI. Sabedoria rara que proclamava o óbvio: toda a repetição é inútil, uma vez que só se conserva igual aquilo que cada um deseja que assim pareça. Por isso gosto de imaginar, imaginar mesmo, cidades perpetuamente instáveis, das quais é sempre possível esperar mais e esperar melhor. Mesmo quando se trata das aparentemente mais monótonas ou aborrecidas. E por isso me atraiu um livro de itinerários de Bruxelas que encontrei, publicado pela Casterman, contendo textos de Christine Coste e desenhos de François Schuiten (com Benoît Peeters um dos autores da esplêndida série de BD Les Cités Obscures). Aqui toda a cidade é revista de alto a baixo, projectando-se imagens desejáveis, ou imagináveis, da face aparentemente oculta da capital dos belgas. Gostaria de ver a minha cidade assim tratada. Dessa maneira talvez fosse incapaz de deixar de gostar dela.

notas & recados

Correio

Abro uma série na qual me vou comportar apenas como leitor de blogues. Apontando, aplaudindo, fazendo sugestões ou criticando, se for caso disso.

#1 – Começo pelos vizinhos. Pel’A Natureza do Mal. Admito que nos últimos tempos se me tornou um pouco difícil entrar neste blogue imprescindível, tal é o predomínio da envolvente «mancha negra» e a sensação de espreitar para dentro de furnas. Será bonito, mas prejudica, e em muito, a legibilidade. A anterior concepção gráfica cingia-se praticamente ao template original, mas era muito mais legível. O trabalho do André Bonirre com a imagem continua excelente, embora tenha muita pena de que o Luís Januário pareça um tanto retirado das lides. Faz-nos falta e espero que seja passageiro.

Escrito mais tarde – Reparei entretanto que o parágrafo anterior foi olhado quase como uma  «ofensa» à Menina Limão, que foi quem trabalhou na reformulação gráfica d‘A Natureza do Mal. Não tenho muito a dizer em relação a isto. Se lerem com atenção verão que a referência crítica é feita à legibilidade, não à qualidade gráfica, que até é vista de forma positiva. Fazer deste insignificante apontamento crítico o esboço de uma polémica é qualquer coisa difícil de entender. E ando nisto de páginas Web, que me recorde, desde 1993, ainda com o velhinho Mosaic, versão 1.0. Nessa altura, todas as sugestões construtivas eram vistas como uma prova de interesse. Fiz muitas e recebi muitas também. Agora não o são. É a vida, mas admito que tenho pena de que assim aconteça.

Revolução, esperança e nostalgia

Revolución cubana

Poucos temas são tão delicados para a consciência histórica partilhada pelas esquerdas quanto Cuba. Sublinho: «esquerdas» e não «esquerda», uma vez que para regressarmos ao ponto em que era possível, no mundo capitalista, uma proximidade de expectativas e de metas entre as correntes divergentes que se reclamavam do socialismo (e que se reivindicavam da esquerda como «casa comum») será preciso recuarmos ao tempo em que, há mais meio século, numa noite de São Valentim, os barbudos da Sierra Maestra entraram em Havana para expulsar o ditador Batista e os seus patronos americanos. Naquela altura, é bom relembrá-lo, a Revolución cubana, apesar da desconfiança inaugural das rígidas chefias da União Soviética, fazia o pleno da simpatia e das expectativas – passe o conceito hoje fora de moda – da «humanidade progressista».

Criava-se então uma «lenda de Cuba», grata a um grande número de intelectuais da esquerda ocidental, e que foi capaz de seduzir, como experiência onde era possível projectar todas as expectativas, uma boa parte da juventude do mundo inteiro. A guerra de guerrilha que se seguiu ao acidentado desembarque do Granma e que conduzira em pouco tempo à derrota de um exército e de uma força aérea apoiados pelo governo dos Estados Unidos, parecia, vista de fora, algo de miraculoso. E o facto da pequena ilha açucareira, situada a apenas noventa milhas marítimas da Florida, se haver tornado o primeiro «Estado socialista» do hemisfério ocidental, não fez senão crescer essa admiração. Em The Fellow-Travellers. Intellectual Friends of Communism, David Caute observou que a revolução cubana se tornara à época «a Revolução», funcionando como um exemplo, reforçado, sobretudo entre as gerações que acabavam de despertar para a experiência política, pelo facto de parecer desenvolver-se «sem cedências», ultrapassando, assim escrevia Simone de Beauvoir, «as noções de possível e de impossível». E, aspecto não menos importante, sem copiar o figurino de qualquer um dos sistemas de poder então conhecidos.

O controlo de um Estado independente por uma multidão de homens e mulheres sem rugas ou complexos, belos e de porte informal, quase romântico, que utilizavam positivamente e sem limites palavras proscritas ou depreciadas em quase todas as partes –«revolução», «rebeldia», «anti-imperialismo», «igualdade», «colectivização», ou «alfabetização» – e actuavam centradas no presente, potenciou essa simpatia que tocou intelectuais e activistas, jovens ou maduros, tão diferentes como Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Régis Debray, Susan Sontag ou Hans Magnus Enzensberger. O desembarque pró-americano de 1961, na Praia Girón/Baía dos Porcos, o apoio político e militar prestado pelas novas autoridades cubanas a diversos movimentos de guerrilha espalhados pelo mundo, o empenho na alfabetização maciça da população da ilha, o esforço de colectivização da maior parte da propriedade fundiária, uma indiscutível ampliação dos serviços prestados aos trabalhadores nos domínios da saúde e da educação, fariam com que a auréola de exemplaridade do regime cubano não parasse de aumentar, sendo ampliada ainda com a actividade carismática de figuras desprovidas dos maneirismos e da linguagem estereotipada dos estadistas conhecidos, como Fidel, Camilo Cienfuegos ou o singular «Che» Guevara. Os textos de Régis Debray (Révolution dans la Révolution, 1967) e de K. S. Carol (Guérilleros au Pouvoir, de 1970), na sua época muito lidos e traduzidos em diversas línguas, irão contribuir, e bastante, para ampliar esse processo de mitificação do significado e da missão daquela particular estirpe de «revolucionários em movimento».

Uma imagem poderosa da ilha de José Martí como, nas palavras de François Hourmant, um «cocktail de rum branco e de aparente euforia geral», ou como localização da utopia terrena possível, onde até o trabalho possuía uma dimensão festiva, fixava-se pois em numerosos ambientes, produzindo um «tropismo cubano» com um vigor tal que ainda hoje perdura na lembrança de bastantes pessoas da geração que recebeu o seu primeiro impacto, dando forma a algumas das suas actuais convicções, ou fazendo com que outras se continuem a mostrar incapazes de criticar abertamente as autoridades de Havana, ainda que muitas das iniciativas por estas tomadas nas últimas décadas já lhes não pareçam sedutoras ou sequer justificavéis. Como escreveu o ensaísta e crítico de arte cubano Iván de la Nuez em Fantasia Vermelha (subtitulado Os Intelectuais de Esquerda e a Revolução Cubana e editado entre nós pela Angelus Novus), para um certo número de pessoas «Cuba não é apenas Cuba, é qualquer coisa mais», funcionando como «um pretexto para criticar um mundo ordenado sob o signo do mercado, e, por extensão, os males do capitalismo», e mostrando ao mesmo tempo que aquilo que a maior parte dos cidadãos do planeta designa por democracia é alguma coisa de dispensável. Para elas, a frase quase desesperada com a qual Sartre encerrou a sua visita a Cuba – «os cubanos devem triunfar ou perdemos tudo, até a esperança» – faz ainda todo o sentido. A esperança associada à nostalgia é, de facto, uma arma poderosa. Uma arma que por vezes pode cegar.

Recordo aqui três posts que fui escrevendo e permanecem actuais: A imensa tristeza (já de 2003),  Relógios cubanos – 50 anos depois e Toda a dissidência será castigada.

Publicado originalmente no Vias de Facto

Rostos e vozes de Hitler

Poster nazi

Não se trata de mais uma daquelas sinopses destinadas a difundir detalhes biográficos dos dirigentes do Terceiro Reich. Ferran Gallego, professor de história do fascismo na Universidade Autónoma de Barcelona, dirige-se aqui a quem já conhece os factos essenciais, procurando principalmente «compreender um movimento de época através da experiência pessoal que se cruza com o espaço público» e descortinar as motivações e os caminhos que levaram um certo de homens a materializar o compromisso activo de importantes sectores da sociedade alemã com o programa nacional-socialista. Enquanto experiência assente num poder absoluto de uma magnitude até então desconhecida, o nazismo é aqui apresentado como um caudal de energias que resulta da confluência de determinadas condições históricas com a acção decisiva de um conjunto de personalidades fortes próximas de Adolf Hitler.

Gallego ocupa-se de um grupo de destacados colaboradores do Führer constituído por combatentes da primeira hora, todos eles com um lugar proeminente na construção do Partido Nacional-Socialista, e de um outro, formado por homens mais jovens que se mostraram particularmente preparados para assumirem um papel activo na direcção do partido e do Estado. Do primeiro fizeram parte Anton Drexler, pioneiro do nazismo e porta-voz de um nacionalismo popular, Julius Streicher, anti-semita convicto instrumental na ascensão de Hitler, Gregor Strasser, representante da esquerda nazi e «estratega pragmático», Ernst Röhm, instrumental na organização das forças paramilitares das SA, Hermann Göering, o criador da Gestapo e chefe da Luftwaffe, um conservador vinculado aos grandes interesses económicos, Robert Ley, responsável máximo pelo controlo do trabalho operário, e Alfred Rosenberg, o teórico aristocrata que fez dos factores raciais o núcleo do projecto utópico nazi. Alguns destes, como Drexler, Strasser e Röhm, viriam a ser eliminados ou marginalizados para que o antigo cabo pudesse emergir como líder irrefutável. No segundo grupo incluem-se Joseph Goebbels,  o nacionalista nihilista, esteta criador do mito de Hitler e ministro da Propaganda, Baldur von Schirach, o organizador da poderosa Juventude Hitleriana, Heinrich Himmler, líder das SS, administrador do Terror de Estado e responsável por «uma duplicidade de protecção e de repressão» que acostumou a sociedade à violência de massas, Alber Speer, o tecnocrata cínico e vaidoso do qual o historiador se serve para abordar a arquitectura no Terceiro Reich, e Martin Bormann, o burocrata eficaz que se transformou na «sombra do Führer».

O livro abre e encerra com a evocação dramatizada do discurso de Thomas Mann pronunciado em Berlim em 17 de Outubro de 1930, no qual, confrontado já com a ascensão fulgurante do nazismo, o escritor pedia um compromisso salvador entre a democracia liberal e a social-democracia. Uma proposta destinada ao fracasso no momento em que, como recorda Gallego, tinha ganho já enorme peso uma percepção estética do «poder da Comunidade» que iria destruir a República de Weimar e riscar do mapa o jogo partidário.

Publicado na revista LER de Março

Ferran Gallego, Os Homens do Führer. A elite do nacional-socialismo. 1919-1945. Trad. de Carlos Aboim de Brito. A Esfera dos Livros, 528 págs.

LER de Abril

LER de Abril

Já está à venda o nº 90. Temas e colaborações em destaque aqui.