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	<title>A Terceira Noite &#187; Delírios</title>
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	<description>leituras, polémicas e iluminações / um blogue de rui bebiano</description>
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		<title>Simetria semiológica</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 07:35:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Reparará quem segue este blogue que em seis anos quase não se publicaram fotografias de políticos portugueses no ativo. Chegou o momento de proclamar urbi et orbi os três motivos pelos quais isso sucede. O primeiro prende-se com o mais genuíno snobismo: este blogue vive da e para a polis, mas não é um blogue [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34525" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/politicos.jpg" alt="" width="500" height="399" /></p>
<p>Reparará quem segue este blogue que em seis anos quase não se publicaram fotografias de políticos portugueses no ativo. Chegou o momento de proclamar<em> urbi et orbi</em> os três motivos pelos quais isso sucede. O primeiro prende-se com o mais genuíno snobismo: este blogue vive da e para a <em>polis</em>, mas não é um blogue de politiquinha, daqueles que se ocupam quase a full-time (e fazem bem, cumprem a sua função) dos rodriguinhos de São Bento, das fífias de Belém e atividades afins. Por isso, quando fala deles, gosta de relativizar o seu papel nas preocupações do leitor. O segundo é de natureza meramente estética: <em>A Terceira Noite</em> pode ter alguns posts fraquinhos (ou até o podem ser praticamente todos), mas esforça-se por ser um prazer para os olhos, um lugar visualmente incitante, ou então tão relaxante quanto uma massagem ayurvédica acompanhada pelo som de vagas marítimas. A maioria das imagens pessoais disponíveis destruiria esse equilíbrio, como um par de peúgas brancas usadas com um fato escuro. O terceiro motivo é o mais fácil de expor: o blogue preparava-se para este breve momento de simetria semiológica, esgotando de uma vez a quota para os próximos seis anos.</p>
<p><em><span style="font-size: 80%;">[fotografia extorquida à página facebook de maquinistas.org]</span></em></p>
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		<title>Isto é muito sério</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Apr 2012 17:23:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34468" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/aserio.jpg" alt="" width="500" height="312" /></p>
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		<title>O papel higiénico e a crise</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Mar 2012 15:29:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A analogia não é bonita mas a redução da nossa qualidade de vida tem pouco de bonito. Uma portuguesa e uma grega que conheço falavam há dias sobre as poupanças da classe média e a conversa foi dar inevitavelmente aos cortes nos consumos domésticos. E ao do papel higiénico em particular. Primeiro cortaram no perfumado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34102" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/03/papelhigienico.jpg" alt="" width="396" height="296" /></p>
<p>A analogia não é bonita mas a redução da nossa qualidade de vida tem pouco de bonito. Uma portuguesa e uma grega que conheço falavam há dias sobre as poupanças da classe média e a conversa foi dar inevitavelmente aos cortes nos consumos domésticos. E ao do papel higiénico em particular. Primeiro cortaram no perfumado, depois no colorido, a seguir reduziram as exigências em termos de maciez e depois de densidade. Ambas concordaram que mais baixo já não é possível descer.</p>
<p><span style="font-size: 78%;"><em>Adenda</em>: Publicado este post, mão amiga diz-me que ainda é possível <a href="http://www.hamburgpapier.de/Grafik/Produkte/toilettenpapier%20DDR%201979.jpg" target="_blank">descer mais baixo</a>.</span></p>
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		<title>Amor em tempo de revolução</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 01:41:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quem experimentou viver a um mesmo tempo o poder do amor e o da crença na ideia da revolução redentora sabe o que significa ter na mão o futuro, todo o futuro, o próprio e o da humanidade inteira, incandescente, combinado num único destino e numa só certeza. Em Baku, Olivier Rolin conta a propósito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-33653" title="Para Baku" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/02/baku.jpg" alt="Para Baku" width="434" height="290" /></p>
<p>Quem experimentou viver a um mesmo tempo o poder do amor e o da crença na ideia da revolução redentora sabe o que significa ter na mão o futuro, todo o futuro, o próprio e o da humanidade inteira, incandescente, combinado num único destino e numa só certeza. Em <em>Baku</em>, Olivier Rolin conta a propósito desta sorte um episódio que retirou de um texto autobiográfico de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Banine" target="_blank">Banine</a>, a escritora francesa de origem azeri. Quando em 1920 o poder dos sovietes chegou à região, Banine e uma prima, ambas com quinze anos, «uma tímida e a outra estouvada», as duas muçulmanas e filhas de ricaços locais, deixaram-se seduzir pelos ideais e pelas figuras esguias de dois jovens bolcheviques, revolucionários ateus, recém-chegados de longe para tratar das expropriações. Foi pois «de emblema de Lenine espetado nos vestidos de verão» que na altura aceitaram fazer parte da comissão incumbida de inventariar as vivendas da sua própria família. Não pensaram duas vezes nas consequências da sua escolha, embora depois acabassem por perder os namorados, as propriedades e a própria terra onde haviam nascido. Não podiam tê-lo pensado naquele momento das suas vidas.</p>
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		<title>A contar até doze</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 01:37:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Estou a ficar preocupado. Em todos os finais de ano, nas resenhas de obituários que acompanhavam os suplementos dos jornais e das revistas, encontrava sempre mortos relevantes de cujo passamento não me havia apercebido ao longo das restantes cinquenta e uma semanas. Ocupado com os ritmos ardentes, com os momentos e os pormenores, esquecera as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-32227" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2011/12/Untitled-2.jpg" alt="" width="414" height="292" /></p>
<p>Estou a ficar preocupado. Em todos os finais de ano, nas resenhas de obituários que acompanhavam os suplementos dos jornais e das revistas, encontrava sempre mortos relevantes de cujo passamento não me havia apercebido ao longo das restantes cinquenta e uma semanas. Ocupado com os ritmos ardentes, com os momentos e os pormenores, esquecera as partidas de alguns dos notáveis, ou dos notados, cuja vida pública algures havia tocado à tangente o meu modo de tomar consciência do tempo. Este ano, não, nem um só dos admiráveis recém-falecidos escapou à minha atenção. Quando começamos a olhar em excesso para as páginas das necrologias, isso quer dizer, creio, que estamos a ficar velhos ou a precisar de férias. Ou de nos sintonizarmos noutro comprimento de onda.</p>
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		<title>Anjos da paz dos lares</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 04:09:58 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No meio das propostas surpreendentes que todos os dias chegam à minha caixa do correio-e, uma mais recente, enviada por uma firma de detectives brasileiros, garante resolver o problema de quem se possa sentir «desconfiado que está sendo traído pelo e-mail ou bate-papos online». Nela se avisam também os potenciais clientes de que não vale [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-31883" title="anjos" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2011/12/angels2.jpg" alt="anjos" width="286" height="401" /></p>
<p>No meio das propostas surpreendentes que todos os dias chegam à minha caixa do correio-e, uma mais recente, enviada por uma firma de detectives brasileiros, garante resolver o problema de quem se possa sentir «desconfiado que está sendo traído pelo e-mail ou bate-papos online». Nela se avisam também os potenciais clientes de que não vale a pena tentar tratar com a empresa de assuntos vulgares, de reduzida magnitude social, como fraudes financeiras ou o roubo de cartões de crédito, uma vez que só aceitam «serviços para investigação sobre adultério e infidelidade na Internet». Tratar-se-á com toda a probabilidade de um conjunto de pessoas de elevadíssimos princípios morais, profundamente zelosa da paz dos lares e da preservação compulsiva da família.</p>
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		<title>Discutir o futuro</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 01:57:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Marie-Anne de Roumier Robert (1705-71), referida algumas vezes como «escritora feminista francesa», inventou o Reino de Futura no «conto moral» Les Ondins, publicado três anos antes de morrer. Situado não se sabe onde, para se lá chegar tornava-se imprescindível percorrer ao acaso uma estrada longa e repleta de obstáculos. Depois era necessário cruzar oito portas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-31784" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2011/12/future.jpg" alt="" width="410" height="308" /></p>
<p>Marie-Anne de Roumier Robert (1705-71), referida algumas vezes como «escritora feminista francesa», inventou o Reino de Futura no «conto moral» <a href="http://books.google.pt/books?id=1qQtAAAAMAAJ&amp;oe=UTF-8&amp;redir_esc=y" target="_blank"><em>Les Ondins</em></a>, publicado três anos antes de morrer. Situado não se sabe onde, para se lá chegar tornava-se imprescindível percorrer ao acaso uma estrada longa e repleta de obstáculos. Depois era necessário cruzar oito portas metálicas, a última das quais em ouro, encontrando-se todas elas protegidas por dragões, chamas, gigantes, serpentes aladas, sereias e uma fénix. Transposta a última porta, o viajante deveria então purificar-se atravessando um pequeno lago. Só então poderia penetrar no Reino. A vida que ali encontrava parecia-lhe, num primeiro olhar, justificar todos os trabalhos e sacrifícios pelos quais passara: os habitantes de Futura experimentavam uma imensa e infinita paixão pelo futuro. Mas cedo o viajante percebia os limites daquele aparente bem-estar, pois as constantes discussões sobre as formas que tal futuro tomaria impediam-nos de viverem felizes. Todavia, não sabiam viver sem elas.</p>
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		<title>As últimas palavras de Nelson</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 19:46:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[De Horatio Nelson (1758-1805), o almirante britânico que derrotou a esquadra franco-espanhola na batalha de Trafalgar, apesar de nela haver perdido a vida – confirmando então uma supremacia da Royal Navy que haveria de manter-se por mais de cem anos – contam-se pelo menos três versões, alegadamente testemunhais, daquelas que terão sido as suas últimas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-31700" title="Nelson" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2011/12/nelson1.jpg" alt="Nelson" width="260" height="341" /></p>
<p>De Horatio Nelson (1758-1805), o almirante britânico que derrotou a esquadra franco-espanhola na batalha de Trafalgar, apesar de nela haver perdido a vida – confirmando então uma supremacia da Royal Navy que haveria de manter-se por mais de cem anos – contam-se pelo menos três versões, alegadamente testemunhais, daquelas que terão sido as suas últimas palavras. De acordo com o cirurgião William Beatty, que o assistiu nas últimas horas, terá repetido insistentemente, até perder a consciência: «Thank God I have done my duty». Já Alexander Scott, o capelão do seu navio-almirante, assegurou que Nelson terá dito antes: «Drink, drink. Fan, fan. Rub, rub». Por fim, alguns dos presentes contaram em algumas ocasiões que, referindo-se a Thomas Hardy, capitão do <span style="font-style: italic;">Victory </span>e seu grande amigo, terá exclamado: «Kiss me, Hardy!». Jamais se conhecerá a verdade, mas qualquer das variantes serve para ler de diferentes modos a biografia e a personalidade de Lord Nelson. Podemos assim optar por um dos desfechos e, em função dele, reescrever todo o enredo.</p>
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		<title>A «incidência contributiva»segundo o Xerife de Nottingham</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 18:53:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No mito de Robin dos Bosques o Xerife de Nottingham era o executante local das exações fiscais determinadas pelo príncipe João, o usurpador do trono do bom mas desaparecido rei Ricardo. Como sabemos que os mitos são sempre uma representação formal de atitudes humanas consagradas pela repetição, não é difícil encontrar, muitos séculos depois do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-31668" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2011/12/sheriff1.jpg" alt="" width="388" height="290" /></p>
<p>No mito de Robin dos Bosques o Xerife de Nottingham era o executante local das exações fiscais determinadas pelo príncipe João, o usurpador do trono do bom mas desaparecido rei Ricardo. Como sabemos que os mitos são sempre uma representação formal de atitudes humanas consagradas pela repetição, não é difícil encontrar, muitos séculos depois do seu desaparecimento, pequenos e médios xerifes que são fiéis continuadores da pura maldade aplicada em nome de quem manda «porque pode».</p>
<p>Falo apenas de ilegalidades praticadas arbitrariamente pelos executantes do Estado. Por exemplo, da forma como, recentemente, numerosos contribuintes portugueses foram forçados a aguentar as consequências de execuções fiscais e a pagar coimas por uma ausência de pagamento de impostos devidos da qual não haviam sido previamente informados. Simplificando: não se avisa um bom número de pessoas que está devedor e assim, através do pagamento da inevitável multa, aumentam-se exponencialmente as receitas do Estado. Presumo que tal comportamento valha, aos xerifes espertalhaços que o conceberam e aplicaram, uma merecida comenda. Ou, no mínimo, um louvor.<span id="more-31657"></span></p>
<p>Outro caso, que me ia rebentando agora mesmo nas mãos, ainda é mais perverso. Todos os trabalhadores independentes, emissores de «recibos verdes», estão a ser notificados pelo Instituto de Segurança Social do dever de pagarem a sua contribuição para a segurança social segundo parâmetros que são enviados em circular a cada um deles. Quem já desconta por ser trabalhador por conta de outrem – do Estado, por exemplo – está isento. Mas atenção (e aqui entra em campo o xerife de Nottingham): a partir de agora terá de pagar na mesma se não enviar no devido tempo para a Segurança Social, anualmente (e o prazo deste ano está quase a fechar), um comprovativo da sua condição de isento pelo facto de… pagar já para outra entidade. E como deduziu a SS a importância que cada um de nós deverá pagar? Acedendo aos documentos do IRS do contribuinte, em cujo processo consta já a referência… aos descontos para a Segurança. Cruzou a informação? Sim, cruzou, mas apenas para identificar o que há a pagar, não para confirmar que já pagou.</p>
<p>Existe uma forma de evitar o pagamento em duplicado da Segurança? Existe, sem dúvida, como me foi indicado pela simpática funcionária com quem conversei esta manhã no dialeto «contribuês» destinado a fazer passar o cidadão pagador por parvo. Fazendo então de Robin dos Bosques, indico qual a solução para evitar problemas mais graves. Veja-se o requinte do processo:</p>
<blockquote><p>Vai à página web: <a href="http://www2.seg-social.pt" target="_blank">www2.seg-social.pt</a> Do lado direito, existe um menu a correr (e se, como eu, o leitor odiar menus a correr, percebe logo o impacto desta perfomance visual). Espera então que passe, com letras minúsculas, a seguinte frase “Notificação dos Trabalhadores Independentes” (tem 4 segundos para clicar nela). Nessa altura abre-se uma página com informações sobre a referida “Notificação”. Desce até ao fundo da nova página e aí, com letra quase microscópica, encontra um link para uma “Minuta de Reclamação”. Imprime e preenche a minuta, juntando-lhe uma cópia de um boletim de vencimento ou outro documento no qual conste a referência ao pagamento que faz a outra instância da segurança. Por fim, vai entregar estes dois documentos à Delegação mais próxima da Segurança Social (se não fosse 8 de Dezembro poderia fazê-lo já amanhã, depois de horas de trabalho perdidas na respetiva fila&#8230;). Ou então envia tudo, por correio – aconselho que o faça com aviso de receção – para a mesma delegação.</p></blockquote>
<p>Com toda a certeza que o aprendiz de Xerife que inventou isto irá também para a lista das promoções. Ou talvez receba um louvor por escrito. Quanto a nós, pobres moradores das franjas da floresta de Sherwood, o melhor é emboscar-nos, aguardando o próximo golpe de mão dos sicários do príncipe João.</p>
<blockquote><p><em>Nota complementar</em> &#8211; Entretanto, durante o dia 8 (feriado), foi colocado na página do Instituto de Segurança Social um aviso mencionando a existência de incorreções no envio da informação aqui referida aos trabalhadores independentes que já descontam por outra via, prometendo um contacto para esclarecer a situação. Aguardemos pois. Mas mais vale prevenir&#8230;</p></blockquote>
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		<title>A cidade dos buracos</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 01:01:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Cittabella é, em Viaggio in Drimonia, o livro de Lia Wainstein editado em 1965 pela Feltrinelli, «a cidade dos buracos». Nela, todos os habitantes deambulam incessantemente, dando a sensação, a quem os possa observar a partir do exterior, de procurarem alguma coisa – um parente ou um amigo, um embrulho, uma carruagem, um animal de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-31124" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2011/11/deambular.jpg" alt="" width="350" height="350" /></p>
<p>Cittabella é, em <em>Viaggio in Drimonia, </em>o livro de Lia Wainstein editado em 1965 pela Feltrinelli, «a cidade dos buracos». Nela, todos os habitantes deambulam incessantemente, dando a sensação, a quem os possa observar a partir do exterior, de procurarem alguma coisa – um parente ou um amigo, um embrulho, uma carruagem, um animal de estimação – entretanto engolidos pelo chão. Ao mesmo tempo, medem cuidadosamente os passos, com o objectivo de evitarem a própria queda, que ainda assim consideram inevitável.</p>
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