Arquivo da categoria Imagem

Simetria semiológica

Reparará quem segue este blogue que em seis anos quase não se publicaram fotografias de políticos portugueses no ativo. Chegou o momento de proclamar urbi et orbi os três motivos pelos quais isso sucede. O primeiro prende-se com o mais genuíno snobismo: este blogue vive da e para a polis, mas não é um blogue de politiquinha, daqueles que se ocupam quase a full-time (e fazem bem, cumprem a sua função) dos rodriguinhos de São Bento, das fífias de Belém e atividades afins. Por isso, quando fala deles, gosta de relativizar o seu papel nas preocupações do leitor. O segundo é de natureza meramente estética: A Terceira Noite pode ter alguns posts fraquinhos (ou até o podem ser praticamente todos), mas esforça-se por ser um prazer para os olhos, um lugar visualmente incitante, ou então tão relaxante quanto uma massagem ayurvédica acompanhada pelo som de vagas marítimas. A maioria das imagens pessoais disponíveis destruiria esse equilíbrio, como um par de peúgas brancas usadas com um fato escuro. O terceiro motivo é o mais fácil de expor: o blogue preparava-se para este breve momento de simetria semiológica, esgotando de uma vez a quota para os próximos seis anos.

[fotografia extorquida à página facebook de maquinistas.org]

Declaração programática

rivoluzione

Isto é muito sério

O passado é agora [20]

Sous les pavés la plage

Sous les Pavés, la Plage

[Retomo a série O passado é agora usando o título do meu primeiro blogue. RIP]

As 1001 Noites (10)

Gonzale - «Taxi driver» (Damasco, Síria, s.d.)

A última biblioteca

A última biblioteca
  Pablo Genovés

Duarte Belo / Páginas Tantas

Esta segunda-feira, dia 6 de fevereiro, pelas 18H30, decorre a segunda sessão do programa Páginas Tantas, organizado em Coimbra pelo TAGV – Teatro Académico de Gil Vicente e pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Nele se irá falando de livros e de literatura, das artes e dos artistas, e de outras coisas úteis. Em cada sessão estará presente um/a convidado/a que irá conversar com o público sobre o seu trabalho. Desta vez será Duarte Belo (Lisboa, 1968), autor de extensa e importante obra na fotografia portuguesa contemporânea. Esta centra-se principalmente no levantamento fotográfico da paisagem e das formas de ocupação do território, sendo de destacar as obras Portugal — O Sabor da Terra (1997) e Portugal Património (2007-2008). Este trabalho deu origem a um arquivo fotográfico pessoal de mais de novecentas mil fotografias.A partir do dia 6 o TAGV terá em exposição trabalhos do autor. Mais informações no blogue do programa.

As 1001 Noites (9)

J. Rutledge - «Night in Rome» (s.d.)

O passado é agora [19]

Maria

Manhã cedo, bem cedo, capto na atmosfera da pastelaria uma exclamação sonora e estranha – «Ai a Maria Callas diz cada coisa!» – seguida de uma gargalhada em grupo. Para aquelas mulheres elegantes com as cabeças coloridas para enganarem os cabelos brancos o presente era infinito.

O passado é agora [18]

Nicolas Tikhomiroff - «Paris stock exchange» (1959)

As 1001 Noites (8)

Richard Vantielcke, «L'homme de l'ombre» (s.d.)

As 1001 Noites (7)

Richard Vantielcke, «Waiting in the dark» (s.d.)

As 1001 Noites (6)

Will Pursell, «Playing with fire» (s.d.)

As 1001 Noites (5)

Elizabeth Gadd, «sem título» (s.d.)

Porém flutua

Lenine

Lenine sobre o Danúbio (Budapeste, Hungria).

[versão animada aqui]

As 1001 Noites (4)

Robert Brook

Robert Brook - «Liverpool Business Park, Speke» (s.d.)

As 1001 Noites (3)

Lynn Saville - «Number 39» (2006)

As 1001 Noites (2)

Begoña Zubero - Da série 'Cas & Gas' (2007)

As 1001 Noites (1)

Brian Ulrich - Rialto Theatre (2009)

China em construção

noticias da china

Da série Camouflage, de Liu Bolin.

O passado é agora [17]

ardinas

Ardinas | New York, data incerta.

Volta ao mundo #4

Colaboração de Iuri Bradáček

Volta ao mundo #3


Colaboração de Iuri Bradáček

Volta ao mundo #2


Colaboração de Iuri Bradáček

Volta ao mundo #1


© Khizana – Colaboração de Iuri Bradáček

Iuri estrada fora #5

Sibéria

Na Sibéria. Por vontade própria mas numa manhã difícil.
Colaboração de Iuri Bradáček

No cinema com Hector Barbossa

Barbossa & Sparrow

Como gosto de filmes de «entretenimento, acção, aventura» e tenho um especial carinho pela figura ficcional do pirata – bem mais pela ficcional do que pela histórica, embora também possamos reconhecer piratas dos verdadeiros com um trajecto assombroso – fui ver «Por Estranhas Marés», o quarto filme da série O Pirata das Caraíbas, desta vez dirigido por Bob Marshall. Resultado: uma desilusão profunda, uma irritante experiência de tédio e a sensação pós-visionamento de 10 euros e 137 minutos de vida esbanjados. A movimentação dos actores, puramente coreográfica, tem algo de jogo para PlayStation, e provavelmente será essa mesmo a ideia, já que deparei, por comparação com os anteriores episódios, com uma clara infantilização do argumento, dos personagens e dos diálogos. Estes são agora deploráveis, primários, com tudo «bem explicadinho», prontos para um público pouco exigente e não preparado para subtilezas e citações. As sequências amorosas – as do casto missionário com a sereia ingénua, ou as que envolvem Johnny «Sparrow» Depp, desta vez com os maneirismos do personagem exagerados até à caricatura, e uma Penélope Cruz que aqui mais parece uma esforçada actriz de teatro amador – são de um bocejo indescritível. E a piorar a experiência, um inquietante sinal dos tempos: como é possível fazer um filme de piratas sem tabaco e quase sem álcool? Salva-se a intervenção da única personagem que conserva uma certa dignidade «pirática» e que é desde o início da série a minha favorita. Sim, refiro-me ao imprevisível, bem-humorado, e tão canalha quanto generoso, Capitão Hector Barbossa, de novo interpretado por Geoffrey Rush, que é de longe o melhor actor de todo o casting. Se querem mesmo ver o filme, então abstraiam-se do omnipresente Jack Sparrow – agora tão enjoativo quanto as pipocas do espectador da fila da frente – e sigam as pisadas do «perna de pau».

Srebrenica

Libération

A capa do Libération de hoje, sobre a captura do general sérvio bósnio Ratko Mladic, o «carniceiro de Srebrenica», é um valente murro. Mas convém levar com ele no estômago para não esquecermos e fazermos de conta que não é connosco.

Líbia global

Em Benghazi
Benghazi, Maio de 2011 | Fotografia de Rodrigo Abd

O título poderia ser: «No século 21 a guerra também é estilo». A reverberação mediática da imagem induz este efeito. Estranho, paradoxal, mas apenas na aparência.

A cor voltou à rua

25A

A sequência dos dias ia desbotando a data. Há um ano escrevi aqui: «Para os filhos e os netos de Abril tudo começou a 26 com o conta-quilómetros a zeros, e por isso para poucos deles há um «Sempre!». É assim e não há que ter pena. Há que olhar para o que está para vir e o resto é memória a guardar. Quente para muitos, sem dúvida, mas para cada vez menos porque a vida não faz pausa.» Cinquenta e duas semanas depois, estas palavras parecem-me imperfeitas. De repente, diante daquilo que até há pouco parecia improvável ou impossível,  a cor viva, agora a da resistência, voltou à rua. E com ela o reforço de uma certa memória útil, de uma memória memorável.