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	<title>A Terceira Noite &#187; Opinião</title>
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	<description>leituras, polémicas e iluminações / um blogue de rui bebiano</description>
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		<title>Meter os pés ao caminho</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 22:46:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não fazendo parte do seu núcleo impulsionador e redator, fui dos primeiros signatários do «Manifesto para uma Esquerda mais livre». Neste momento, o número de pessoas que assinaram o documento, muitas delas de trajeto e méritos publicamente reconhecidos, já vai em cerca de duas mil e continua a aumentar. A sua localização política é muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34858" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/lookleft.jpg" alt="" width="421" height="316" /></p>
<p>Não fazendo parte do seu núcleo impulsionador e redator, fui dos primeiros signatários do <a href="http://paraumaesquerdalivre.net/home/manifesto/" target="_blank">«Manifesto para uma Esquerda mais livre»</a>. Neste momento, o número de pessoas que assinaram o documento, muitas delas de trajeto e méritos publicamente reconhecidos, já vai em cerca de duas mil e continua a aumentar. A sua localização política é muito plural e a leitura que cada uma delas faz do documento será, por isso, com toda a certeza muito diferenciada. É natural que assim aconteça, dado não se tratar de um programa partidário, de uma plataforma eleitoral ou de um plano para a tomada do poder, mas antes de um conjunto de princípios maleáveis, razoavelmente consensuais para diversas áreas da esquerda não dogmática, destinados – é essa a minha leitura, e foi nessa perspetiva que assinei – a colaborar na procura de estratégias de aproximação e de renovação para uma esquerda dividida. Uma esquerda demasiadas vezes entrincheirada nas suas diferenças e absolutas certezas, como tal sem hipóteses de enfrentar com êxito uma direita que sabe unir-se e incapaz de aplicar a estratégia de mudança que a atual situação do país e da Europa requer. É o princípio de algo, não se saberá ainda bem do quê. Mas em relação a uma coisa podemos desde já ficar com alguma segurança: não servirá para dividir, mas sim para unir, como não servirá para enquadrar, mas para pensar. E não é «contra os partidos», embora admita que estes por si só não bastem para abrir os caminhos da mudança.<span id="more-34857"></span></p>
<p>O mais curioso para quem sofra de alguma ingenuidade política é que entretanto, e apesar de tão amplo naquilo que proclama, o Manifesto começou já, principalmente em alguns blogues e nas redes sociais, a ser alvo de ataque e detração. Porque é fulano ou beltrana que «estão por trás» (em alguns dos casos nem é verdade, e além disso cada um pensa por si), porque é «muito verde e fresco» e o logótipo não comporta os símbolos tradicionais do trabalho, porque é coisa de intelectuais desligados das massas, porque os seus promotores se propõem «promover um capitalismo que funcione em benefício de todos». São estes os «argumentos» mais simples, em relação aos quais não vale a pena qualquer trabalho de refutação. Mas existem objetivos expressos que levantam possibilidades insuportáveis e contranatura para alguma esquerda. Mesmo quando esta proclama, em decisões políticas, a necessidade de unir, de incorporar independentes, de agregar «democratas e outros patriotas» sem partido. Porque propor a construção de uma esquerda plural, «liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa» impõe contornar aqueles que os alimentam constantemente. Porque falar de «uma democracia mais representativa e mais participada» sugere a necessidade de ver a política para além das dinâmicas eleitorais e da luta de rua, embora em conjugação com elas. Porque falar de «uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam» torna necessária a superação das estratégias isolacionistas e nacionalistas que têm paralisado. Porque propor um «alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental» contesta a velha política da terra queimada. E principalmente porque este Manifesto exclui a possibilidade de uma corrente hegemónica ditar às outras – na teoria ou na prática – o caminho partilhado a seguir. Abre o campo, em vez de cavar trincheiras. Não pretende unir, mas aproximar.</p>
<p>Estas reações estão afinal na natureza das coisas e é precisamente por elas existirem e se mostrarem à primeira oportunidade que este <a href="http://paraumaesquerdalivre.net/home/manifesto/" target="_blank">«Manifesto para uma Esquerda mais livre»</a>, aberto à participação e em desenvolvimento, faz todo o sentido e parece ter boas razões para meter os pés ao caminho.</p>
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		<title>Para uma Esquerda livre</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 21:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já pode ler, conhecer os signatários e, se o desejar, assinar também, o Manifesto &#8220;Para uma Esquerda livre&#8221;. Trata-se de um apelo à mobilização dos cidadãos para três objetivos: uma esquerda mais livre, um Portugal mais igual e uma Europa mais fraterna. A partir desta plataforma aberta, serão organizados encontros de forma aberta e transparente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34838" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/manifesto.jpg" alt="" width="434" height="133" /></p>
<p>Já pode ler, conhecer os signatários e, se o desejar, assinar também, o <a href="http://paraumaesquerdalivre.net/home/manifesto/" target="_blank">Manifesto &#8220;Para uma Esquerda livre&#8221;</a>. Trata-se de um apelo à mobilização dos cidadãos para três objetivos: uma esquerda mais livre, um Portugal mais igual e uma Europa mais fraterna. A partir desta plataforma aberta, serão organizados encontros de forma aberta e transparente, recorrendo a práticas de democracia através do uso das redes para a elaboração de documentos com diagnósticos e propostas concretas. Claro que não se trata de um programa ou de um caderno reivindicativo, mas de uma via para pensar soluções para a esquerda e a sua intervenção a partir dos contributos de muitas pessoas que não se revêm apenas nos seus partidos.</p>
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		<title>O regresso do fascismo</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 18:00:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Lê-se num instante este pequeno livro do filósofo e ensaísta holandês Rob Riemen. Com ele passamos em revista, de forma clara e informativa, como num manual de instruções, o modo insidioso como o fascismo – tomando outros nomes, invocando até a liberdade, a igualdade de oportunidades e a democracia – se tem vindo a instalar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34822" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/riemen3.jpg" alt="" width="270" height="388" /></p>
<p>Lê-se num instante este pequeno livro do filósofo e ensaísta holandês <a href="http://www.robriemen.nl/en/rob-riemen-home.html" target="_blank">Rob Riemen</a>. Com ele passamos em revista, de forma clara e informativa, como num manual de instruções, o modo insidioso como o fascismo – tomando outros nomes, invocando até a liberdade, a igualdade de oportunidades e a democracia – se tem vindo a instalar nas nossas consciências narcotizadas pelos média, preparando o terreno para novas formas de sujeição. Mais traiçoeiras, menos espetaculares, mas não menos escravizantes e violentas do que aquelas que na primeira metade do século passado foram aplicadas pelos protótipos italiano e alemão. Lembra a dada altura Riemen que o fascismo con­temporâneo «resulta, mais uma vez, de partidos po­líticos que renunciaram à sua tradição intelectual, de intelectuais que cultivaram um niilismo com­placente, de universidades que já não são dignas desse nome, da ganância do mundo de negócios e de <em>mass media</em> que preferem ser ventríloquos do público em vez de o seu espelho crítico», notando serem justamente estas elites corrompidas que alimentam o vazio espi­ritual que serve de caldo de cultura à sua expansão. <em>O Eterno Retorno do Fascismo</em> é um brado de alerta e um estímulo à crítica do acriticismo que vai chocando o ovo da serpente. Deve por isso ser lido com a etiqueta de urgente.</p>
<p><span style="font-size: 85%;">Rob Riemen, <em>O Eterno Retorno do Fascismo</em>. Bizâncio. Trad. de Maria Carvalho. 78 páginas. Ver também uma recente entrevista dada pelo autor <a href="http://www.ionline.pt/mundo/rob-riemen-classe-dominante-nunca-sera-capaz-resolver-crise-ela-crise-1" target="_blank">ao ionline</a>.</span></p>
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		<title>O day after</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 10:58:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A primeira reação foi de alegria, a segunda de ceticismo, a terceira de esperança. Como pessoa de esquerda, adversário da transformação da realidade europeia num laboratório para a produção de meros exercícios de gestão financeira no interior de um capitalismo retornado ao estado de barbárie, custem eles o que custarem em termos sociais e humanos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone " src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/20120507-115905.jpg" alt="20120507-115905.jpg" width="422" height="316" /></p>
<p>A primeira reação foi de alegria, a segunda de ceticismo, a terceira de esperança. Como pessoa de esquerda, adversário da transformação da realidade europeia num laboratório para a produção de meros exercícios de gestão financeira no interior de um capitalismo retornado ao estado de barbárie, custem eles o que custarem em termos sociais e humanos, não pude deixar de me sentir momentaneamente feliz com a vitória da esquerda francesa reunida em torno da candidatura de François Hollande. Nem com os avanços que essa esquerda anti-austeritarista, projetada à margem das cartilhas dogmáticas pré-Queda do Muro, foi capaz de obter na Grécia.</p>
<p>Já como alguém que sabe não serem só os problemas colocados que são complexos e reconhece que as soluções para os superarmos o podem ser ainda mais, não posso deixar de despertar rapidamente do estado de graça e de perceber que o que aí vem irá defraudar muitas das expetativas dos eleitores. Hollande não é propriamente a mola de uma frente unitária contra a ditadura dos mercados, a desigualdade social e o recuo do Estado-providência. Dentro do sistema que domina a economia europeia, as suas tímidas propostas reformistas poucas hipóteses terão de ser aplicadas e de produzir efeitos duradouros. Já o Syriza, é, no contexto grego, um partido do protesto, do descontentamento, o que não assegura capacidade para afirmar aquilo que não tem: uma estratégia de governo e uma saída à vista para os problemas mais dramáticos dos gregos.</p>
<p>No entanto, a esperança nasce também das maiores dificuldades. A perceção de que é necessário encontrar uma solução e a pressão dos cidadãos para que tal se faça de forma rápida e com uma gestão de recursos que não seja cega, irão criar condições para que, em França, na Grécia e noutros teatros da crise, novos e melhores caminhos possam ser visados, preparados e percorridos. Não os que levam a Pasárgada, a cidade-ideal da vida boa projetada no conhecido poema de Manuel Bandeira, mas os que alimentam essa dose de esperança necessária a toda a regeneração.</p>
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		<title>Nem só de pão</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 10:37:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A propósito das cenas violentas e completamente degradantes provocadas pela campanha de descontos do Pingo Doce, não parece justo culpar apenas a atitude canalha da empresa de Jerónimo Martins, ao servir-se do feriado do Primeiro de Maio para desencadear a sua campanha de publicidade agressiva, manipulando as carências das pessoas e provocando os seus próprios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/20120502-121030.jpg" alt="20120502-121030.jpg" class="alignnone size-full" /></p>
<p>A propósito das cenas violentas e completamente degradantes provocadas pela campanha de descontos do Pingo Doce,  não parece justo culpar apenas a atitude canalha da empresa de Jerónimo Martins, ao servir-se do feriado do Primeiro de Maio para desencadear a sua campanha de publicidade agressiva, manipulando as carências das pessoas e provocando os seus próprios trabalhadores. Como não será correto culpar os largos milhares de famílias que para sobreviverem à crise foram até à selva das prateleiras lutar corpo a corpo por escassas centenas de euros. Para sermos justos, e entendermos o que aconteceu de um modo mais completo, precisamos olhar também para a atitude continuada dos partidos políticos e de muitas organizações sindicais que têm desenvolvido a sua ação exclusivamente centradas numa política de interesses, na gestão economicista do deve e do haver de todos e de cada um. Fazendo-o sem atenderem à defesa da consciência cívica como princípio de solidariedade, da honra individual como eixo da vida coletiva, da (voltemos sem medo à palavra) ideologia como instrumento de mobilização e de mudança. Marx dizia que a consciência política do operário &#8211; alarguemos: do trabalhador, do cidadão &#8211; não se mede apenas pelo tamanho do porta-moedas. Talvez o que aconteceu se deva, em boa parte, ao esquecimento de que nem só de pão vivemos.</p>
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		<title>25 de Abril</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 23:45:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O processo de transfiguração do país que o 25 de Abril de 1974 abriu foi descrito como «Revolução dos Três D» (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver). Este é o fundamento comum dos projetos políticos com os quais nos confrontámos por mais de três décadas e meia. A expressão pode parecer hoje algo redutora por não englobar as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34661" title="25 de Abril" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/25abril.jpg" alt="25 de Abril" width="534" height="286" /></p>
<p>O processo de transfiguração do país que o 25 de Abril de 1974 abriu foi descrito como «Revolução dos Três D» (Democratizar, Descolonizar, Desenvolver). Este é o fundamento comum dos projetos políticos com os quais nos confrontámos por mais de três décadas e meia. A expressão pode parecer hoje algo redutora por não englobar as enormes mudanças que estavam para ocorrer no campo da vida privada, das relações de trabalho e das práticas culturais, mas não deixa de verbalizar princípios programáticos e uma linha de rumo que cruzaram os anos e os diferentes governos. Democratizar supunha assim abrir a gestão da coisa pública e do coletivo à voz e à vontade livremente expressa dos cidadãos, o que até ali era impossível. Descolonizar significava alijar o fardo da ideia de império e do domínio dos povos colonizados, o que até ali era impraticável. Desenvolver impunha encontrar e expandir novos ritmos para a criação de riqueza e o bem-estar das populações, o que não constava das perspetivas do velho «país habitual», idealizado por Salazar como quieto, naturalmente desigual e indiferente às tentações da vida moderna.</p>
<p>A memória partilhada do 25 de Abril guardou esse rastro, que até há pouco governo algum se propôs contrariar. À esquerda ou à direita do bloco político que tomou conta da gestão do Portugal pós-revolucionário, com ou sem cravo ao peito, fosse qual fosse a posição diante da Constituição aprovada em 1976, programas e orçamentos jamais ousaram afastar o horizonte de um país melhor, habitado por portugueses mais felizes, tendencialmente «livre, justo e solidário». Só o atual contexto de crise pôs travão a esta orientação, definindo uma nova realidade na qual a ditadura dos mercados parece impor, com a complacência de quem governa, o retorno a uma paisagem na qual os processos da democracia e os caminhos do desenvolvimento são confrontados com um enorme recuo e uma subalternização neocolonial. Nos anos 80, referindo-se a Portugal, João Martins Pereira falava da «singular intensidade do seu passado recente». No presente, perante o cenário de resignação e pessimismo que emana da atuação das autoridades públicas, o recurso a estratégias de alternativa passa pelo exercício de uma intensidade democrática em ação, de uma dinâmica do possível, da qual o 25 de Abril permanece um sinal.</p>
<p><span style="font-size: 85%;"><em>A terceira das entradas escritas <em>para o </em><strong>Dicionário das Crises e das Alternativas</strong><em> </em><strong></strong>lançado pelo <a href="http://www.ces.fe.uc.pt/" target="_blank">Centro de Estudos Sociais</a> da Universidade de Coimbra, de parceria com as Edições Almedina, a revista </em>Visão<em> e o </em>Jornal de Letras<em>. Ainda nos quiosques.</em></span></p>
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		<title>A IS, a esperança e a falta dela</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 16:32:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em Homage to Catalonia, publicado em 1938 na ressaca da presença combatente na Espanha da Guerra Civil, George Orwell sublinhava que o que atrai as pessoas comuns, ou pelo menos muitas delas, para o socialismo, e «as deixa dispostas a arriscar a pele por ele», é a ideia de igualdade. Até há pouco diríamos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class=" wp-image-34558 alignright" style="margin: 2px 5px; border: 0pt none;" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/is1.jpg" alt="" width="265" height="218" />Em <em>Homage to Catalonia</em>, publicado em 1938 na ressaca da presença combatente na Espanha da Guerra Civil, George Orwell sublinhava que o que atrai as pessoas comuns, ou pelo menos muitas delas, para o socialismo, e «as deixa dispostas a arriscar a pele por ele», é a ideia de igualdade. Até há pouco diríamos que a hipótese de arriscar a pele por uma causa corresponderia, nesta Europa descrente mas em aparente expansão que saiu do termo da Guerra Fria, a um círculo muito restrito de combates e de lugares, marcados por um extremismo socialmente isolado ou pelo regresso do nacionalismo. A reinstalação da desigualdade à qual assistimos nos últimos tempos pode, porém, inverter rapidamente esta situação: perante o colapso dos mercados, do capitalismo e da democracia parlamentar tal como a conhecemos, o retorno da política dos extremos pode conduzir à reemergência dessa atitude-limite que transforma uma causa no sentido de uma vida vivida no fio da navalha. Como escreveu Tony Judt num dos seus derradeiros livros, «sociedades grotescamente desiguais também são sociedades instáveis», dividindo-se através de conflitos internos, cada vez maiores e mais insanáveis, que terminam geralmente «com desfechos não democráticos».<span id="more-34554"></span></p>
<p>É por isso responsabilidade de quem se proclama democrata, ou, mais, socialista e/ou social-democrata – na aceção original do conceito – lutar pela igualdade, ou, pelo menos, impedir que as desigualdades se acentuem. Esse deveria, pois, ser um imperativo da Internacional Socialista e dos partidos que a integram, pela tradição histórica e pela especificidade política e sociológica que incorporam, pelo papel que deveriam desempenhar como instrumentos da resistência à selvajaria neoliberal. Mas não: na crise atual, num contesto de agravamento das condições de vida da esmagadora maioria da população da Europa, parte da qual formalmente representa nos parlamentos, a IS  e os seus partidos calam-se, ou apenas balbuciam frases vulgares, mostrando-se incapazes de propor como meta e princípio de governo a defesa de uma ideia de igualdade que é a única capaz de impedir a eclosão do conflito e do extremismo que o desespero acabarão por impor.</p>
<p>No pequeno mas importante livro que acaba de publicar (<em>A Crise da Esquerda Europeia</em>, da D. Quixote), Alfredo Barroso coloca o dedo na ferida: «como explicar que o evidente fracasso do neoliberalismo – que vem desencadeando, desde há uma década, crises económicas e financeiras cada vez mais graves – não tenha provocado uma forte reação política e um sobressalto ideológico dos partidos da esquerda europeia que alternam no poder com partidos de direita?» Estarão todos à espera, provavelmente, da hipotética asa protetora gaulesa de François Hollande para saírem à liça. Fraca e pusilâmine gente sem coragem para erguer a cabeça, levantar a voz e voar pelos próprios meios, esta da catatónica IS, presidida, neste momento, pelo infeliz e desacreditado George Papandreou. O que esperar, pois, de quem não sabe falar de esperança?</p>
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		<title>Günter, Israel e os outros</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 18:12:43 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[«O que deve ser dito», o «poema» na origem da polémica é, de facto, confrangedoramente mau para alguém com a sua responsabilidade literária. Desqualificado como decrépito e apodado de insensível antissemita, Günther Grass declarou entretanto à Associated Press que se pudesse reescrevê-lo teria evitado usar o termo «Israel» e referido expressamente o atual governo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34512" title="Günter" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/gunter3.jpg" alt="Günter" width="429" height="322" /></p>
<p>«O que deve ser dito», o «poema» na origem da polémica é, de facto, confrangedoramente mau para alguém com a sua responsabilidade literária. Desqualificado como decrépito e apodado de insensível antissemita, Günther Grass declarou entretanto à <em>Associated Press</em> que se pudesse reescrevê-lo teria evitado usar o termo «Israel» e referido expressamente o atual governo de Benjamin Netanyahou. O episódio conta-se em poucas palavras: revoltado com o facto de a Alemanha vender a Israel um submarino com capacidade para lançar mísseis armados com ogivas nucleares, Grass publicou o referido <a href="http://revistacult.uol.com.br/home/2012/04/gunter-grass-publica-poema-acusando-israel-de-ameacar-a-paz-mundial/" target="_blank">«poema»</a>, no qual, num arremedo estético da cartilha do velho realismo (socialista ou não), acusa o governo israelita de «ameaçar a já frágil paz mundial». A peça vai mais longe, condenando «o suposto direito de um ataque preventivo» contra as «supostas» ameaças de um Irão empenhado, também ele, reconhecidamente, em desenvolver armamento nuclear. Em consequência, o governo militarista de Israel declarou o escritor <em>persona non grata</em>, impedindo-o de regressar a um país que, como convidado, visitou já por diversas vezes.</p>
<p>A posição do governo israelita é, obviamente, escusada e bastante condenável, apenas possível porque este se encontra nas mãos de alguns dos setores mais conservadores e agressivos do país. É contraproducente, do ponto de vista da imagem global de Israel, e incompreensível até para quem gosta, sem estar de todo desprovido de razão, de se gabar de ser «o único Estado democrático da região». Bernard-Henri Lévy, que também <a href="http://www.huffingtonpost.com/bernardhenri-levy/gunter-grass-israel-poem_b_1417160.html" target="_blank">não é um anjo</a>, aproveitou para desancar nos esquecimentos do escritor alemão, lembrando-lhe que, já agora, podia falar do que ao mesmo tempo se passa na Coreia do Norte, na Rússia de Putin, na Síria e no Irão ali mesmo ao lado. Mas aquilo que realmente impressiona é o facto de a esquerda antissemita ocidental – a mesma que ainda há pouco tempo apontava o dedo a Grass pelo seu longínquo e por longo tempo escondido passado filo-nazi – passar a incensá-lo como se de um herói se tratasse. Vale tudo para ser «contra Israel», independentemente das circunstâncias históricas e políticas do seu trajeto, seja o que for que possa desenhar-se no horizonte da região. Uma atitude que indicia a ausência de uma «política de princípios», justa e democrática, que é, afinal, cada vez mais necessária. Entre outras coisas para obter para aquelas paragens uma paz duradoura, sem vencidos e vencedores.</p>
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		<title>shhhtttt!, Nostalgia Futura</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 17:32:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Durante algum tempo o ritmo de A Terceira Noite irá diminuir um pouco. Aliás, já se nota que está a diminuir. Nada de especial a acontecer, para além de excesso de trabalho e um problema com os dias que não esticam. Mas leram bem: apenas «um pouco». Nada de dramático, sendo provável que por vezes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante algum tempo o ritmo de <em>A Terceira Noite</em> irá diminuir um pouco. Aliás, já se nota que está a diminuir. Nada de especial a acontecer, para além de excesso de trabalho e um problema com os dias que não esticam. Mas leram bem: apenas «um pouco». Nada de dramático, sendo provável que por vezes nem se note a quebra. Em alguns momentos, no entanto, ela acontecerá.</p>
<p>Entretanto, para todos/as mas em especial para os/as leitores/as que me acompanham desde o início desta e de outras aventuras, aqui fica a ligação para uma experiência nova, composta basicamente por recortes, colagens e inspirações resultantes de trabalho alheio que vou guardando e tenho vontade de partilhar.</p>
<p>São, shhhtttt!, o contos da <a href="http://nostalgiafutura.tumblr.com/" target="_blank">Nostalgia Futura</a>.</p>
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		<title>Boaventura de Sousa Santos / Páginas Tantas</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 21:11:59 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Pensamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta segunda-feira, dia 2 de abril, pelas 18H30, decorre a terceira sessão do programa Páginas Tantas, organizado em Coimbra pelo TAGV &#8211; Teatro Académico de Gil Vicente e pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Nele se irá falando de livros e de literatura, das artes e dos artistas, de ideias e de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34335" title="BSS" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/bss2.jpg" alt="BSS" width="407" height="304" /></p>
<p>Esta segunda-feira, dia 2 de abril, pelas 18H30, decorre a terceira sessão do programa <strong>Páginas Tantas</strong>, organizado em Coimbra pelo TAGV &#8211; Teatro Académico de Gil Vicente e pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. Nele se irá falando de livros e de literatura, das artes e dos artistas, de ideias e de outras coisas úteis. Em cada sessão estará presente um/a convidado/a que irá conversar com o público sobre o seu trabalho. Neste mês será o sociólogo<strong> Boaventura de Sousa Santos</strong> (Coimbra, 1940), diretor do Centro de Estudos Sociais e autor de uma vasta obra sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos. Mais informações no <a href="http://tantaspaginas.wordpress.com/" target="_blank">blogue do programa</a>.</p>
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