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	<title>A Terceira Noite</title>
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	<description>leituras, polémicas e iluminações / um blogue de rui bebiano</description>
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		<title>Meter os pés ao caminho</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 22:46:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não fazendo parte do seu núcleo impulsionador e redator, fui dos primeiros signatários do «Manifesto para uma Esquerda mais livre». Neste momento, o número de pessoas que assinaram o documento, muitas delas de trajeto e méritos publicamente reconhecidos, já vai em cerca de duas mil e continua a aumentar. A sua localização política é muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34858" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/lookleft.jpg" alt="" width="421" height="316" /></p>
<p>Não fazendo parte do seu núcleo impulsionador e redator, fui dos primeiros signatários do <a href="http://paraumaesquerdalivre.net/home/manifesto/" target="_blank">«Manifesto para uma Esquerda mais livre»</a>. Neste momento, o número de pessoas que assinaram o documento, muitas delas de trajeto e méritos publicamente reconhecidos, já vai em cerca de duas mil e continua a aumentar. A sua localização política é muito plural e a leitura que cada uma delas faz do documento será, por isso, com toda a certeza muito diferenciada. É natural que assim aconteça, dado não se tratar de um programa partidário, de uma plataforma eleitoral ou de um plano para a tomada do poder, mas antes de um conjunto de princípios maleáveis, razoavelmente consensuais para diversas áreas da esquerda não dogmática, destinados – é essa a minha leitura, e foi nessa perspetiva que assinei – a colaborar na procura de estratégias de aproximação e de renovação para uma esquerda dividida. Uma esquerda demasiadas vezes entrincheirada nas suas diferenças e absolutas certezas, como tal sem hipóteses de enfrentar com êxito uma direita que sabe unir-se e incapaz de aplicar a estratégia de mudança que a atual situação do país e da Europa requer. É o princípio de algo, não se saberá ainda bem do quê. Mas em relação a uma coisa podemos desde já ficar com alguma segurança: não servirá para dividir, mas sim para unir, como não servirá para enquadrar, mas para pensar. E não é «contra os partidos», embora admita que estes por si só não bastem para abrir os caminhos da mudança.<span id="more-34857"></span></p>
<p>O mais curioso para quem sofra de alguma ingenuidade política é que entretanto, e apesar de tão amplo naquilo que proclama, o Manifesto começou já, principalmente em alguns blogues e nas redes sociais, a ser alvo de ataque e detração. Porque é fulano ou beltrana que «estão por trás» (em alguns dos casos nem é verdade, e além disso cada um pensa por si), porque é «muito verde e fresco» e o logótipo não comporta os símbolos tradicionais do trabalho, porque é coisa de intelectuais desligados das massas, porque os seus promotores se propõem «promover um capitalismo que funcione em benefício de todos». São estes os «argumentos» mais simples, em relação aos quais não vale a pena qualquer trabalho de refutação. Mas existem objetivos expressos que levantam possibilidades insuportáveis e contranatura para alguma esquerda. Mesmo quando esta proclama, em decisões políticas, a necessidade de unir, de incorporar independentes, de agregar «democratas e outros patriotas» sem partido. Porque propor a construção de uma esquerda plural, «liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa» impõe contornar aqueles que os alimentam constantemente. Porque falar de «uma democracia mais representativa e mais participada» sugere a necessidade de ver a política para além das dinâmicas eleitorais e da luta de rua, embora em conjugação com elas. Porque falar de «uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam» torna necessária a superação das estratégias isolacionistas e nacionalistas que têm paralisado. Porque propor um «alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental» contesta a velha política da terra queimada. E principalmente porque este Manifesto exclui a possibilidade de uma corrente hegemónica ditar às outras – na teoria ou na prática – o caminho partilhado a seguir. Abre o campo, em vez de cavar trincheiras. Não pretende unir, mas aproximar.</p>
<p>Estas reações estão afinal na natureza das coisas e é precisamente por elas existirem e se mostrarem à primeira oportunidade que este <a href="http://paraumaesquerdalivre.net/home/manifesto/" target="_blank">«Manifesto para uma Esquerda mais livre»</a>, aberto à participação e em desenvolvimento, faz todo o sentido e parece ter boas razões para meter os pés ao caminho.</p>
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		<title>Na rota de Kolyma</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 17:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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		<description><![CDATA[Como Auschwitz na rede de campos instalados pelos nazis, Kolyma é sinónimo de morte e sofrimento extremo no interior do universo concentracionário da antiga URSS. O complexo, instalado no glacial extremo-nordeste siberiano, detinha e conserva uma particularidade que marcou o seu destino: o de principal território de mineração do ouro da Rússia. Daí o interesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34846" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/kolyma.jpg" alt="" width="261" height="421" /></p>
<p>Como Auschwitz na rede de campos instalados pelos nazis, Kolyma é sinónimo de morte e sofrimento extremo no interior do universo concentracionário da antiga URSS. O complexo, instalado no glacial extremo-nordeste siberiano, detinha e conserva uma particularidade que marcou o seu destino: o de principal território de mineração do ouro da Rússia. Daí o interesse de Estaline em enviar prisioneiros para as suas minas. Estima-se que entre 1932 e 1956 foram mais de 2 milhões os deportados para o complexo instalado na região. E muito poucos regressaram. Varlam Shalamov foi um dos que sobreviveu e nos intensamente autobiográficos <em>Contos de Kolyma</em>, escritos entre 1953 e 1963 mas reportando-se a uma experiência que vinha dos anos 30, deixou-nos reflexos desse lugar terrível. Décadas depois, relatos e reportagens fotográficas testemunham de uma forma perturbante o silêncio e a desolação desse espaço imenso, um dos mais hostis da Terra, no qual tantas vidas foram rapidamente consumidas, deixando um rastro de dor e sombra que ainda se não extinguiu. Foi por isso que o escritor e jornalista polaco Jacek Hugo-Bader resolveu percorrer de mota os 2 025 quilómetros da rota de Kolyma, que vai de Moscovo a Vladivostok. Ao longo do trajeto, relatado no seu <em>Dziennik Kolymski</em> (<em>Diário de Kolyma</em>), editado na Polónia no ano passado e recenseado na revista francesa <em>Books</em>, todas as pessoas com quem falou conservam uma qualquer ligação familiar ou emocional com aquelas minas que continuam malditas. Quem já leu na íntegra diz que o relato do longo e gélido périplo de Hugo-Bader é espantoso. E principalmente uma reflexão sobre a humanidade num lugar que já foi o da mais impiedosa desumanidade.</p>
<p><span style="font-size: 85%;"><a href="http://aterceiranoite.org/2009/12/04/o-combate-pela-dignidade-na-memoria-do-gulag/" target="_blank">um outro post relacionado com o tema</a></span></p>
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		<title>Para uma Esquerda livre</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 21:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Já pode ler, conhecer os signatários e, se o desejar, assinar também, o Manifesto &#8220;Para uma Esquerda livre&#8221;. Trata-se de um apelo à mobilização dos cidadãos para três objetivos: uma esquerda mais livre, um Portugal mais igual e uma Europa mais fraterna. A partir desta plataforma aberta, serão organizados encontros de forma aberta e transparente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34838" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/manifesto.jpg" alt="" width="434" height="133" /></p>
<p>Já pode ler, conhecer os signatários e, se o desejar, assinar também, o <a href="http://paraumaesquerdalivre.net/home/manifesto/" target="_blank">Manifesto &#8220;Para uma Esquerda livre&#8221;</a>. Trata-se de um apelo à mobilização dos cidadãos para três objetivos: uma esquerda mais livre, um Portugal mais igual e uma Europa mais fraterna. A partir desta plataforma aberta, serão organizados encontros de forma aberta e transparente, recorrendo a práticas de democracia através do uso das redes para a elaboração de documentos com diagnósticos e propostas concretas. Claro que não se trata de um programa ou de um caderno reivindicativo, mas de uma via para pensar soluções para a esquerda e a sua intervenção a partir dos contributos de muitas pessoas que não se revêm apenas nos seus partidos.</p>
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		<title>O regresso do fascismo</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 18:00:53 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Livros & Leituras]]></category>
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		<description><![CDATA[Lê-se num instante este pequeno livro do filósofo e ensaísta holandês Rob Riemen. Com ele passamos em revista, de forma clara e informativa, como num manual de instruções, o modo insidioso como o fascismo – tomando outros nomes, invocando até a liberdade, a igualdade de oportunidades e a democracia – se tem vindo a instalar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34822" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/riemen3.jpg" alt="" width="270" height="388" /></p>
<p>Lê-se num instante este pequeno livro do filósofo e ensaísta holandês <a href="http://www.robriemen.nl/en/rob-riemen-home.html" target="_blank">Rob Riemen</a>. Com ele passamos em revista, de forma clara e informativa, como num manual de instruções, o modo insidioso como o fascismo – tomando outros nomes, invocando até a liberdade, a igualdade de oportunidades e a democracia – se tem vindo a instalar nas nossas consciências narcotizadas pelos média, preparando o terreno para novas formas de sujeição. Mais traiçoeiras, menos espetaculares, mas não menos escravizantes e violentas do que aquelas que na primeira metade do século passado foram aplicadas pelos protótipos italiano e alemão. Lembra a dada altura Riemen que o fascismo con­temporâneo «resulta, mais uma vez, de partidos po­líticos que renunciaram à sua tradição intelectual, de intelectuais que cultivaram um niilismo com­placente, de universidades que já não são dignas desse nome, da ganância do mundo de negócios e de <em>mass media</em> que preferem ser ventríloquos do público em vez de o seu espelho crítico», notando serem justamente estas elites corrompidas que alimentam o vazio espi­ritual que serve de caldo de cultura à sua expansão. <em>O Eterno Retorno do Fascismo</em> é um brado de alerta e um estímulo à crítica do acriticismo que vai chocando o ovo da serpente. Deve por isso ser lido com a etiqueta de urgente.</p>
<p><span style="font-size: 85%;">Rob Riemen, <em>O Eterno Retorno do Fascismo</em>. Bizâncio. Trad. de Maria Carvalho. 78 páginas. Ver também uma recente entrevista dada pelo autor <a href="http://www.ionline.pt/mundo/rob-riemen-classe-dominante-nunca-sera-capaz-resolver-crise-ela-crise-1" target="_blank">ao ionline</a>.</span></p>
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		<title>O day after</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 10:58:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira reação foi de alegria, a segunda de ceticismo, a terceira de esperança. Como pessoa de esquerda, adversário da transformação da realidade europeia num laboratório para a produção de meros exercícios de gestão financeira no interior de um capitalismo retornado ao estado de barbárie, custem eles o que custarem em termos sociais e humanos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone " src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/20120507-115905.jpg" alt="20120507-115905.jpg" width="422" height="316" /></p>
<p>A primeira reação foi de alegria, a segunda de ceticismo, a terceira de esperança. Como pessoa de esquerda, adversário da transformação da realidade europeia num laboratório para a produção de meros exercícios de gestão financeira no interior de um capitalismo retornado ao estado de barbárie, custem eles o que custarem em termos sociais e humanos, não pude deixar de me sentir momentaneamente feliz com a vitória da esquerda francesa reunida em torno da candidatura de François Hollande. Nem com os avanços que essa esquerda anti-austeritarista, projetada à margem das cartilhas dogmáticas pré-Queda do Muro, foi capaz de obter na Grécia.</p>
<p>Já como alguém que sabe não serem só os problemas colocados que são complexos e reconhece que as soluções para os superarmos o podem ser ainda mais, não posso deixar de despertar rapidamente do estado de graça e de perceber que o que aí vem irá defraudar muitas das expetativas dos eleitores. Hollande não é propriamente a mola de uma frente unitária contra a ditadura dos mercados, a desigualdade social e o recuo do Estado-providência. Dentro do sistema que domina a economia europeia, as suas tímidas propostas reformistas poucas hipóteses terão de ser aplicadas e de produzir efeitos duradouros. Já o Syriza, é, no contexto grego, um partido do protesto, do descontentamento, o que não assegura capacidade para afirmar aquilo que não tem: uma estratégia de governo e uma saída à vista para os problemas mais dramáticos dos gregos.</p>
<p>No entanto, a esperança nasce também das maiores dificuldades. A perceção de que é necessário encontrar uma solução e a pressão dos cidadãos para que tal se faça de forma rápida e com uma gestão de recursos que não seja cega, irão criar condições para que, em França, na Grécia e noutros teatros da crise, novos e melhores caminhos possam ser visados, preparados e percorridos. Não os que levam a Pasárgada, a cidade-ideal da vida boa projetada no conhecido poema de Manuel Bandeira, mas os que alimentam essa dose de esperança necessária a toda a regeneração.</p>
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		<title>Média</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 17:24:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Outra das entradas escritas para o Dicionário das Crises e das Alternativas lançado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, de parceria com as Edições Almedina, a revista Visão e o Jornal de Letras. Ainda em alguns quiosques. Até à década de 1960, média designava um campo integrador dos «meios de comunicação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34802" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/media.jpg" alt="" width="369" height="342" /></p>
<p><span style="font-size: 85%;"><em>Outra das entradas escritas <em>para o </em><strong>Dicionário das Crises e das Alternativas</strong><em> </em><strong></strong>lançado pelo <a href="http://www.ces.fe.uc.pt/" target="_blank">Centro de Estudos Sociais</a> da Universidade de Coimbra, de parceria com as Edições Almedina, a revista </em>Visão<em> e o </em>Jornal de Letras<em>. Ainda em alguns quiosques.</em></span></p>
<p>Até à década de 1960, <em>média</em> designava um campo integrador dos «meios de comunicação de massas» enquanto instrumentos de propaganda destinados a impor uma mensagem de natureza política ou publicitária. Nos anos 70 essa perspetiva foi alargada, percebendo-se que a dimensão instrumental não indicava apenas aos públicos <em>o modo</em> como estes deveriam pensar, mas incorporava também a aptidão para impor <em>aquilo</em> em que eles deveriam ou não pensar. Neste sentido, os média têm funcionado como aparelhos de subordinação dos cidadãos a formas de perceção do real social e do curso da História que escapam à intervenção da crítica, não sendo acidental que as piores formas de opressão, instaladas nos regimes de pendor totalitário mas também nas fissuras das democracias, recorram a eles para impor o seu domínio e eliminar a divergência. A ideia de «indústria cultural», proposta por Adorno e por Horkheimer, referia já o modo como a instauração de um dado fluxo de informação servia de instrumento de propagação da ideologia dominante, dando lugar a uma uniformização dos quadros de pensamento e dos comportamentos, no sentido da aceitação ordeira do capitalismo. Para Baudrillard, o peso do signo na «sociedade de consumo» irá, por sua vez, suscitar uma vertigem de natureza opressiva. A vulgarização da televisão, e depois a disseminação da Internet, crescentemente dependentes da intervenção dos grupos financeiros e também dos governos, irão reforçar este papel de manipulação e controlo, impondo, perante o recuo do jornalismo de combate, um ruído que ao mesmo tempo silencia. No presente contexto de crise, este tende a difundir a convicção de que não existe escolha perante os desmandos do sistema, o qual poderá quanto muito ser reabilitado. A capacidade da rede mundial de computadores integra, porém, uma forte dimensão democrática e libertária que tem servido a circulação de informação (veja-se o caso Wikileaks), o debate político, a mobilização do protesto e a perceção da possibilidade de uma mudança mais profunda, contornando os média tradicionais, eles próprios forçados a repensar-se.</p>
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		<title>Mulheres com M</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 17:04:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Tem sido boa a repercussão pública do ensaio Humilhação e Glória, de Helena Vasconcelos. Sendo inteiramente merecido, esse eco deve, no entanto, ser confrontado com algumas dúvidas que a leitura da obra levanta. É desde logo evidente a intenção da autora de conceber o livro como uma introdução à história das mulheres, concebida de forma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone  wp-image-34785" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/femme.jpg" alt="" width="425" height="341" /></p>
<p>Tem sido boa a repercussão pública do ensaio <em>Humilhação e Glória</em>, de Helena Vasconcelos. Sendo inteiramente merecido, esse eco deve, no entanto, ser confrontado com algumas dúvidas que a leitura da obra levanta. É desde logo evidente a intenção da autora de conceber o livro como uma introdução à história das mulheres, concebida de forma atraente e vocacionada principalmente para o leitor comum. Ele vem preencher, aliás, na linha do que fez em Espanha Rosa Montero com o seu <em>Histórias de Mulheres</em>, uma lacuna na edição nacional. Ao mesmo tempo, a autora propõe um importante trabalho de resgate efetuado sobre os feitos e os trajetos públicos de um conjunto de mulheres, principalmente portuguesas, com papéis na literatura, nas artes, nas ciências ou na intervenção cívica que têm permanecido injustamente esquecidos ou na sombra. Se a Marquesa de Alorna é, pelo menos nos meios académicos, razoavelmente conhecida, poucos terão ouvido falar, por exemplo, de Teresa Margarida da Silva Orta, apesar de esta ter sido a primeira portuguesa a escrever um romance (<em>As Aventuras de Diófenes</em>, de 1752). Atravessa também o livro uma brisa de otimismo que contribui, sem dúvida, para ampliar o seu papel de instrumento destinado a sublinhar a importância de um trajeto histórico de combate pela emancipação e de afirmação positiva da voz das mulheres.</p>
<p>Uma leitura crítica levanta, porém, algumas perplexidades. Anoto três. Em primeiro lugar, a consideração de eventos e práticas originários de distintos tempos e lugares como se inscritos num percurso único, visando uma espécie destino trans-histórico comum. Em segundo lugar, a falta das propostas, dos problemas e dos combates que se levantaram, a partir da década de 1980, no contexto do chamado feminismo de terceira vaga, ficando as alusões canónicas pelas pelas autoras de segunda vaga (Simone de Beauvoir, Elaine Showalter, Betty Friedman e outras). E em terceiro o tom quase celebratório, em relação à situação atual de uma «tendência para a igualdade» que estudos no campo da sociologia e da ciência política têm vindo a desmontar, revelando, ao invés, que este padrão de discurso pode validar subordinações reais, aparentemente invisíveis. Pode ainda, entretanto, levantar-se uma última objeção que parecendo apenas formal, de facto o não é. A designação de um enquadramento do ensaio, enquanto género, no campo dos estudos «femininos» – e não «sobre as mulheres», ou «feministas», como são catalogados dentro de um universo hoje já bastante alargado, inclusivamente em Portugal, que se dedica ao seu estudo nos domínios da investigação de ponta e do debate teórico – advém de uma escolha da autora que sendo inteiramente legítima, respeitável, pode também ser questionada por dar a impressão de advir de uma noção essencialista sobre o «belo sexo» derivada de um modelo cultural dominantemente masculino. Um livro bastante útil e recomendável que convirá ler com alguma vigilância crítica.</p>
<p><span style="font-size: 85%;">Helena Vasconcelos, <em>Humilhação e Glória. O acidentado percurso de algumas mulheres singulares</em>. Quetzal. 328 págs.Versão revista de nota saída na <em>LER </em>de Abril.</span></p>
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		<title>Nem só de pão</title>
		<link>http://aterceiranoite.org/2012/05/02/nem-so-de-pao/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 10:37:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aterceiranoite.org/?p=34768</guid>
		<description><![CDATA[A propósito das cenas violentas e completamente degradantes provocadas pela campanha de descontos do Pingo Doce, não parece justo culpar apenas a atitude canalha da empresa de Jerónimo Martins, ao servir-se do feriado do Primeiro de Maio para desencadear a sua campanha de publicidade agressiva, manipulando as carências das pessoas e provocando os seus próprios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/05/20120502-121030.jpg" alt="20120502-121030.jpg" class="alignnone size-full" /></p>
<p>A propósito das cenas violentas e completamente degradantes provocadas pela campanha de descontos do Pingo Doce,  não parece justo culpar apenas a atitude canalha da empresa de Jerónimo Martins, ao servir-se do feriado do Primeiro de Maio para desencadear a sua campanha de publicidade agressiva, manipulando as carências das pessoas e provocando os seus próprios trabalhadores. Como não será correto culpar os largos milhares de famílias que para sobreviverem à crise foram até à selva das prateleiras lutar corpo a corpo por escassas centenas de euros. Para sermos justos, e entendermos o que aconteceu de um modo mais completo, precisamos olhar também para a atitude continuada dos partidos políticos e de muitas organizações sindicais que têm desenvolvido a sua ação exclusivamente centradas numa política de interesses, na gestão economicista do deve e do haver de todos e de cada um. Fazendo-o sem atenderem à defesa da consciência cívica como princípio de solidariedade, da honra individual como eixo da vida coletiva, da (voltemos sem medo à palavra) ideologia como instrumento de mobilização e de mudança. Marx dizia que a consciência política do operário &#8211; alarguemos: do trabalhador, do cidadão &#8211; não se mede apenas pelo tamanho do porta-moedas. Talvez o que aconteceu se deva, em boa parte, ao esquecimento de que nem só de pão vivemos.</p>
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		<title>A bela palavra</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 01:09:20 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Apontamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Mantenho uma relação difícil com a palavra «camarada». Houve um tempo no qual a pronunciei vezes sem conta. Para mim significava então um destino, uma missão. Uma vontade de partilhar a redenção dos que a história havia empurrado para a humilhação e a pena. A certeza de que esse resgate chegaria. E por isso um sinal de futuro. Era essa a palavra bonita, «c’est un joli nom, tu sais», que Jean Ferrat, comunista e artista de variedades, proclamava em 1968. Aquela que combinava o sabor da cereja e o da romã com os perfumes do maio. Mas na mesma canção Ferrat rompia com o PCF e acusava os tanques russos: «Ce fut à cinq heures dans Prague/ Que le mois d’août s’obscurcit/ Camarade Camarade». Porque a palavra serviu também, no dobrar das décadas, para perseguir e delatar, para marcar um grau de pureza («amigo, companheiro, camarada»), para torturar e abater («porque desejas, canalha, matar o Camarada Estaline?»), deixando manchar o brilho matinal que estava na sua natureza. E, no entanto, sobreviveu. Porque nenhum mal foi capaz de expulsar a centelha que contém. A fraternidade que invoca, que espera, que procura. «Camarada» permanece uma palavra linda. Por isso necessária.</p>
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		<title>Um Quixote português</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 22:58:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biografias]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Livros & Leituras]]></category>

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		<description><![CDATA[Por hábito ou falta de atenção, a figura de Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (1861-1944) tem sido algumas vezes associada de um modo injustamente exclusivo às incursões monárquicas nortenhas de 1911 e 1912, lançadas contra a Primeira República sem efetivo poderio militar e outras consequências que não o reforço do regime que pretendiam combater. Surge [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-34746" title="" src="http://aterceiranoite.org/wp-content/uploads/2012/04/paiva2.jpg" alt="" width="290" height="439" /></p>
<p>Por hábito ou falta de atenção, a figura de Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (1861-1944) tem sido algumas vezes associada de um modo injustamente exclusivo às incursões monárquicas nortenhas de 1911 e 1912, lançadas contra a Primeira República sem efetivo poderio militar e outras consequências que não o reforço do regime que pretendiam combater. Surge também ligada à sua condição de Presidente da Junta Governativa do Reino, assumida quando da efémera experiência da Monarquia do Norte – essa «Traulitânia» tão rebaixada no campo republicano – proclamada no Porto em janeiro de 1919. O estrondo da sua atuação durante esses anos bastou, no entanto, para que em torno da memória que dela sobrou se fosse construindo uma «lenda negra», que os republicanos facilmente ergueram, e outra de sinal inverso, que os adeptos da antiga ordem monárquica fizeram por manter, transformando-o em paladino e símbolo de uma causa que não queriam dar por perdida. Para evitar a perspetiva parcial, o impacto da sua intervenção pública deve por isso ser procurado dentro de um arco temporal mais alargado. O resultado final será o reconhecimento de um Quixote português, batendo-se, como o original, por idealismo e uma certa noção de honra, em nome de um Portugal que a corrente do tempo empurrava já para o passado.<span id="more-34734"></span></p>
<p>A biografia de Paiva Couceiro, marcada pela ascensão rápida numa carreira militar iniciada aos dezassete anos, passou por três fases distintas e complementares. À primeira definiu-a uma ligação profunda a África, por muito tempo o cenário central da sua vida. Abre com o comando da Cavalaria da Humpata, em Angola, onde entre 1889 e 1891 participou em viagens de reconhecimento e «campanhas de pacificação», na realidade agressivas iniciativas militares destinadas a impor a soberania portuguesa em territórios nos quais ela permanecia meramente formal. Após uma curta estadia na metrópole, combaterá integrado na Legião Espanhola na guerra do Rif (1893-1894), seguindo depois para Moçambique, onde, sob o governo de António Enes desempenhará um papel crucial nos combates contra os potentados autóctones que procuravam resistir à imposição da autoridade portuguesa. Superintendeu então as operações que conduziram à prisão e à deportação de Gungunhana, sendo Mouzinho de Albuquerque um seu subordinado. De regresso a Portugal, será proclamado «benemérito da Pátria» e nomeado conselheiro do rei. Ocupará então cargos militares e políticos de destaque, chegando mesmo, entre 1906 e 1907, a ser deputado, vinculado ao Partido Renovador Liberal e a João Franco. E nos dois anos seguintes será o Governador-Geral de Angola. A segunda fase, a mais conhecida, foi a da resistência à proclamação da República, que tentou impedir logo a 4 e 5 de Outubro, tendo mesmo sido o único oficial que neste dia fez fogo sobre o acampamento revolucionário da Rotunda. Apenas depôs as armas quando soube que o rei D. Manuel tinha deixado o país a caminho do exílio, apesar da vitória militar monárquica parecer assegurada. Pediu então a demissão do exército por desejar manter «a honra de servir uma só bandeira» e foi em consonância com esta atitude que chefiou as incursões armadas antirepublicanas, cumprindo depois um papel fulcral na tentativa restauracionista de 1919. A terceira e última fase da vida acompanhará os anos da ascensão política de Salazar e os primeiros tempos do Estado Novo, tendo sido marcada por uma crescente divergência em relação a muitas das opções do novo governo.</p>
<p>É da etapa da resistência ativa à República, mas sobretudo da subsequente a 1919, que trata a maior parte dos apontamentos diarísticos, das cartas enviadas e recebidas, dos panfletos e dos artigos de jornal, até agora conservados inéditos ou esquecidos, que, como parte do enorme acervo deixado pelo autor, foi agora publicada com a organização e uma introdução do historiador Filipe Ribeiro de Meneses. Ela permite, no conjunto, projetar um olhar mais profundo sobre a vida e a atividade pública de Paiva Couceiro, libertando-as da ideia mais comum segundo a qual, após o desastre da Monarquia do Norte, este teria entrado numa fase de progressiva obscuridade. Todavia, não foi assim que as coisas aconteceram, como se pode agora perceber e Ribeiro de Meneses reconhece de imediato na introdução, quando, ao enfatizar a dimensão e a qualidade do espólio, deixa claro que o militar continuou a desempenhar um papel de relevo na oposição à Primeira República e que a sua atividade intelectual no campo da reflexão política prosseguiu também com vigor.</p>
<p>Para compreender o sentido e o registo mais essencial da documentação agora posta ao dispor dos investigadores e do público, é necessário, naturalmente, conhecer o trajeto militar e cívico do seu autor, mas principalmente compreender o processo de formação das suas convicções. Em <em>Um Herói Português</em>, a biografia que Vasco Pulido Valente escreveu há cerca de uma década para a <em>Análise Social</em> e republicou como livro em 2006 (Ed. Alêtheia), ficaram expostos contornos que esta documentação vem corroborar, mostrando o coronel Paiva Couceiro como homem em quem ao «ardor religioso, militar e patriótico em que fora educado» se sobrepôs sempre um certo padrão de coragem e iniciativa que o impeliram para a ação. Sob a perspetiva da democracia representativa de inspiração demoliberal, o seu anti-individualismo e o seu antiparlamentarismo, que tinham como contraponto a defesa de um autoritarismo benévolo, apoiado na ordem, na hierarquia e na tradição, não resultam particularmente simpáticos. No entanto, estes foram sempre temperados por um fortíssimo <em>ethos</em>, capaz de transformar as suas escolhas mais em gestos de ousadia – embora não de bravata – do que em opções de alguém condicionado pela ambição e o calculismo. Desta forma deverá, aliás, ser interpretada a sua aproximação, fugaz e pouco pacífica, às convicções do Integralismo Lusitano.</p>
<p>Todavia, a rígida afirmação dos princípios seria visivelmente suavizada nos últimos anos de vida, numa altura em que a sua intervenção se encontrava já poderosamente condicionada pelo isolamento forçado e pelo peso da idade. Então, foi uma vez mais a gestão das colónias que principalmente o preocupou, discordando da opção salazarista de a submeter aos limites impostos pelas metas financeiras do Estado e advogando uma intervenção bastante mais ativa nos territórios africanos. Nessa escolha, continuava a considerar a sua experiência pessoal e a sua intervenção como decisivas. Por isso, em novembro de 1937, na dura carta dirigida a Salazar que lhe valeria a detenção pelo regime e um exílio de dois anos em Espanha, se referiu à forma favorável e reconhecida como considerava que o povo português continuava a confiar no seu «desinteresse», no seu inequívoco «patriotismo», e no modo como ele próprio avaliava «uma vida inteira com uma cara só». Foi esta uma boa forma de resumir uma conceção de honra e uma persistência de convicções que, por aquela época de capitulações perante o ascendente autoritário do regime, se mantinha rara e exigente. E talvez seja esta a melhor maneira de, independentemente da distância política que possamos ter das suas escolhas, melhor conservarmos a sua memória. Que este livro vem refrescar, ampliando muito o conhecimento que temos do seu autor.</p>
<p>Na capa de um número de 1902 do jornal humorístico <em>A Paródia</em>,<em> </em>publicado por Rafael Bordalo Pinheiro, Paiva Couceiro surgia representado como um Quixote, investindo a eito, na savana africana, contra invisíveis inimigos. Apesar da intenção satírica, será provavelmente essa a representação mais justa que dele hoje podemos conceber. Avançando, com voluntarismo e convicção, na defesa, cada vez mais solitária, dos ideais a contracorrente aos quais se conservou fiel. Ele mesmo o sublinhou pelo seu punho, quando na referida carta a Salazar o invetivou: «Venha para o ar livre, e ponha o ouvido à escuta, a ver se ouve, lá das profundezas da História, a voz de Portugal verdadeiro». Que o velho coronel, o <em>Paladino</em> que os seus antigos apoiantes veneravam, acreditava conhecer e interpretar da melhor forma. Talvez melhor que ninguém.</p>
<p><span style="font-size: 85%;"><em>Paiva Couceiro. Diários, Correspondência e Escritos Dispersos</em>. Organização e introdução de Filipe Ribeiro de Meneses. Prefácio de Miguel de Paiva Couceiro. Publicações Dom Quixote. 806 págs. Texto saído na <em>LER </em>de Abril.</span></p>
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